O deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) disse que vai encarar com tranquilidade a investigação aberta pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), contra ele e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo vazamento de inquérito sigiloso da Polícia Federal. O pedido da apuração partiu do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Barroso, também ministro do Supremo.

Imagem ilustrativa da imagem Além de Bolsonaro, Filipe Barros será investigado por vazamento de inquérito sigiloso
| Foto: Agência Câmara

Em nota enviada pela assessoria de imprensa à FOLHA, Barros explicou que já esperava a abertura do inquérito. "Já manifestei minha posição de que noticiar um crime é, em primeiro lugar, um direito constitucional de todo brasileiro. Além de direito é, também, um dever, especialmente daqueles que, legitimamente no Poder Legislativo, representam o povo, ainda mais em se tratando de crime praticado contra instituições como a Justiça Eleitoral, contra as eleições e, portanto, contra nossa democracia".

Para o deputado, "quando o TSE, através de supostos funcionários terceirizados, apaga os rastros dos crimes feitos por hackers em seus computadores, não há nenhuma razão (nem segurança de Estado ou segurança nacional) que impeça qualquer brasileiro de exigir a devida apuração e o respectivo apenamento. A forma precária de enfrentamento ao ataque criminoso deixou impune os responsáveis e demonstrou a fragilidade do Tribunal Superior Eleitoral".

Barros finalizou a nota informando que vai "exercer o contraditório e buscar as provas públicas que muitos temem. Será o momento de inquirir testemunhas, requerer as perícias necessárias e, assim, chegarmos à verdade dos fatos". Além do parlamentar e o presidente, o delegado Victor Neves Feitosa, da PF, é alvo da investigação. Ele foi afastado por Moraes, que também ordenou a instauração de um processo disciplinar contra o servidor.

Os documentos que tramitariam em segredo de justiça tiveram o seu conteúdo divulgado por Bolsonaro e Barros durante uma entrevista ao programa "Os Pingos Nos Is", da Rádio Jovem Pan. O presidente também colocou os links em suas redes sociais, o que fez com que Moraes determinasse a exclusão das mensagens.