Salvador O ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) vai percorrer os Estados, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para conversar com governadores e prefeitos sobre investimentos que a União tem condições de fazer, mas que se acham parados por causa da burocracia. A maior parte é de recursos extra-orçamentários, da Caixa Econômica Federal, do BNDES e da Petrobras, por exemplo. Segundo Aldo, em geral já há a decisão do presidente Lula para a execução dos convênios com Estados e prefeituras, que acabam emperrados na malha burocrática.
Aldo já esteve com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Deve visitar ainda a governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), e de Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos. Anteontem, esteve em Salvador (BA), onde conciliou a missão de conversar com os governadores com a entrada no mundo da política do Senado.
Aldo tem o respaldo de Lula para mergulhar na articulação política com o Congresso e os governadores, depois que o presidente afastou, pelo menos por ora, dessa função o ministro da Casa Civil, José Dirceu. Mas ele procura exercitar a função coordenadamente com o colega de governo.
Na relação com os governadores e prefeitos, por exemplo, ouve as reivindicações e depois as encaminha a Dirceu, que trata da gestão de governo, por meio de sua assessora especial Miriam Belchior. Há uma comissão no Palácio do Planalto tratando exclusivamente dessa relação.
Oriundo da Câmara, onde foi líder do governo Lula em 2003, Aldo tenta estreitar as relações com o Senado. Antes da viagem a Salvador, ele recebeu ACM em seu gabinete no Planalto. Também esteve semana passada discretamente no Senado, foco das maiores dificuldades enfrentadas pelo governo no Congresso: a maioria do governo depende do PMDB, um partido desunido.
Questionado se o governo estava tratando bem da Bahia, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse: ''Não, mas precisa tratar''. Apesar disso, Aldo deixou a Bahia convencido de que ACM e José Sarney (PMDB) continuarão a apoiar o governo. Até mesmo porque deu uma declaração que soou como música aos ouvidos de ACM: Lula não interferirá na disputa em Salvador, que será polarizada entre o PT e o PFL.

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