Curitiba - O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP), ex-presidente da Câmara, defendeu ontem que o País ''precisa passar pela experiência do voto em lista fechada'' - um dos itens da reforma política, assim como o financiamento público de campanhas eleitorais. Rebelo admite que a lista fechada é ''de fato questionada por lideranças políticas e estudiosos da vida política do País'', mas enfatiza que a aprovação do item no plenário da Casa é ''condição'' para o financiamento público ser colocado em prática. Rebelo estava de passagem ontem por Curitiba, onde participou de um programa de televisão e concedeu entrevista exclusiva à FOLHA.
Pela lista fechada, o eleitor passaria a votar num partido, e não mais num candidato. ''Se você vai financiar os partidos, e não mais as candidaturas individuais, não existe outra forma. A lista fechada é condição para o financiamento público'', defendeu ele. Rebelo também é favorável ao financiamento público porque acredita que sua aprovação está ligada ao combate à corrupção. ''O financiamento público fecha, em boa medida, as portas para as irregularidades e as denúncias que acompanham a realização das eleições''. A votação da reforma política, na Câmara, está prevista para ocorrer na próxima semana.
Rebelo teme, porém, que a reforma política seja colocada em votação antes das bancadas da Casa entrarem num ''acordo'' sobre os dois principais itens, a lista fechada e o financiamento público. ''Eu estava mais otimista. Achei que a matéria reuniria mais apoio. Mas hoje (ontem) eu tomei conhecimento, por exemplo, da decisão do PSDB, que fechou questão contra a lista fechada, em favor do voto distrital. Isso demonstra que a votação da matéria vai ser acompanhada por uma incerteza muito grande'', afirmou ele. ''O melhor caminho seria a tentativa de chegar a um acordo que pelo menos assegurasse a maioria, para não se marchar em matéria tão importante para a vida democrática e institucional do País com a incerteza que acompanha essa questão na véspera da votação.''
Em relação à fidelidade partidária - outro item levantado pela reforma política, mas que ainda não deve entrar na pauta de votação da próxima semana -, Rebelo afirma que ''ainda há um receio por parte dos parlamentares'' e defendeu a promoção de um debate amplo. ''Hoje a fidelidade partidária está a critério dos partidos. No caso do PCdoB, a fidelidade é ao partido, ao programa, aos conceitos, aos valores. Em outros partidos a fidelidade terá que ser aos caciques. Ou seja, a fidelidade será a transferência de poderes dos parlamentares para a cúpula partidária. Os caciques vão negociar os votos dos parlamentares sem que eles sejam consultados. E eles não querem esse tipo de fidelidade''.

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