São Paulo - A ausência de deputados federais ontem no Congresso Nacional colocou outro ponto de interrogação em relação à votação, nesta semana, do processo de cassação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP). Para cumprir a previsão de realizar amanhã a votação, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), vai ter que recorrer a uma manobra regimental. Será preciso convocar uma sessão extraordinária para a noite, apenas para efeito de contagem de prazo, o que deverá gerar protestos e possivelmente obstrução dos aliados a Dirceu (PT-SP).
Desde sexta-feira não há quórum mínimo de 51 deputados em plenário para abrir a sessão. Isso não traria maiores consequências se não estivessem correndo prazos regimentais desde que o plenário recebeu oficialmente o parecer que pede cassação. É necessário intervalo de duas sessões entre o recebimento e a votação pelo plenário. Como não houve quórum desde então, a primeira dessas sessões será hoje e a outra, amanhã. Se fosse seguido o trâmite normal, a votação só ocorreria na quarta-feira da semana seguinte - segundo promessa de Aldo, processos de cassação deverão ser votados apenas na quarta-feira, quando o quórum é tradicionalmente mais alto.
A saída de convocar sessão extraordinária suscita dois problemas: a inevitável gritaria da bancada petista e a dúvida sobre o quórum, especialmente se a votação começar tarde.
''Minha determinação é realizar essa sessão na próxima quarta-feira. Tenho o desafio de examinar se terei de lançar mão de uma sessão extraordinária. Esse exame ainda estou realizando'', declarou o presidente da Câmara.
O relator do processo de cassação de Dirceu, Júlio Delgado (PSB-MG), disse que houve um ''cochilo'' dos deputados. ''Serve para mostrar quem quer que o processo ande e quem não quer'', disse ele - que também faltou à sessão ontem.
A data da votação também pode ser adiada devido ao recurso de Dirceu no Supremo Tribunal Federal. Amanhã, o ministro Sepúlveda Pertence deve proferir o voto que decide sobre a concessão da liminar pedida por Dirceu, para que as testemunhas de defesa sejam ouvidas novamente.
O STF dividiu-se em 5 votos a favor da liminar e 5 contra. Mesmo que Sepúlveda desempate a favor de Dirceu, é possível que a votação no plenário da Câmara siga adiante, desde que trechos ''comprometidos'' em razão de erros processuais sejam retirados.
Ontem, o advogado de Dirceu, José Luiz Oliveira Lima, entregou aos 11 ministros do STF ''memorial'' de 11 páginas explicando por que entende que a defesa do ex-ministro foi cerceada. Se houver a sessão, são esperadas manifestações de apoio a Dirceu, como a vigília progamada para ontem à noite. ''É uma defesa do Estado de Direito e manifestação de apoio a um companheiro que dá um exemplo ao não se entregar'', diz a organizadora Maria de Fátima Oliveira.

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