São Paulo - Os dois candidatos da base aliada do governo à presidência da Câmara disputaram espaço ontem durante cerimônia no Palácio do Planalto de sanção da lei que estabelece diretrizes para o saneamento básico. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) posaram para fotos e deram publicamente um abraço na tentativa de sinalizar para a opinião pública que não há um racha na base do governo - mesmo com duas candidaturas.
Questionado se o abraço representava o fim da disputa entre os dois candidatos, Aldo reagiu com bom humor. ''Não pode ser abraço de conciliação porque nunca houve briga. Isso é uma disputa na democracia que comporta várias candidaturas'', disse.
O presidente da Câmara afirmou que tanto a disputa quanto o acordo são ''próprios da democracia'', mas evitou comentar sobre a possibilidade de abrir mão da disputa em favor de Chinaglia. ''Não há porque estranhar na democracia nem a disputa nem o acordo. A minha candidatura não é partidária nem um projeto pessoal, pertence a um grupo de deputados'', afirmou.
Na queda de braço com Chinaglia, Aldo levou vantagem ao conseguir espaço na cerimônia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o projeto com diretrizes para o saneamento básico foi aprovado pela Câmara, o presidente da Casa teve a prerrogativa de posicionar-se ao lado de Lula. Chinaglia, por outro lado, acompanhou a sanção da lei na platéia, ao lado dos demais convidados para a cerimônia.
Apesar da intensa disputa nos bastidores, os dois candidatos negam divergências e a divisão da base aliada. ''Temos uma ótima relação, respeito o deputado Aldo. Ele está em campanha e eu também'', disse Chinaglia.
Depois de se encontrarem no Palácio do Planalto, na cerimônia da lei do saneamento básico, Aldo e Chinaglia (PT-SP), adversários na disputa pela presidência da Câmara, se reuniram para uma conversa a portas fechadas.
Sem alarde, Chinaglia acompanhou Aldo até o gabinete do atual presidente da Câmara, por volta de 13h. Deixou o local uma hora e meia depois da mesma forma de que entrou: candidato.
Os dois lados negam, por meio de interlocutores, que tenham fechado um acordo para unificar a candidatura da base aliada. Ambos concluíram que têm apoio na Casa para levar até o fim suas candidaturas e que não poderiam quebrar o compromisso que já firmaram com alguns partidos.
Chinaglia, inclusive, já começou a arrecadar recursos para a campanha. Doze deputados doaram dinheiro para ajudá-lo na disputa, num total de R$ 24 mil. O recuo seria uma desconsideração. Chinaglia disse que a idéia do encontro foi firmar um pacto de boa convivência. ''Trocamos idéias como sempre fizemos e falamos da nossa responsabilidade de manter o nível de absoluto respeito entre nós'', disse o petista.

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