Brasília - Os três candidatos à presidência da Câmara vão se enfrentar em debate na TV, inaugurando uma nova forma de disputa na casa legislativa. Os três concorrentes - Aldo Rebelo (PC do B-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) - já confirmaram participação no encontro, que será transmitido pela TV Câmara. Ao anunciar o debate, Aldo, atual presidente da Câmara, afirmou que será uma forma de os candidatos discutirem as idéias e as propostas para a instituição. A data ainda será confirmada, mas o debate deverá acontecer na próxima semana. A eleição da Câmara será no dia 1º de fevereiro.
Com aparente vantagem na disputa, Chinaglia poderá ser o mais prejudicado no debate. Com a candidatura mais identificada com os partidos que estiveram envolvidos no escândalo do mensalão, Chinaglia deverá ser o mais cobrado a dar explicações. As regras e o formato do debate ainda serão definidos pelos candidatos e seus assessores.
''O debate é importante como forma de mostrar as contradições da Casa e os caminhos que podem ser adotados'', afirmou Fruet. Chinaglia disse não temer cair em eventuais ''armadilhas'' de seus adversários e que concordava em participar do debate.
Fruet, que entrou na disputa na terça-feira passada, defendeu a participação da população nas discussões sobre a escolha do presidente da Casa. Ele disse que os eleitores deveriam enviar mensagens a seus deputados para que eles se posicionem a favor de uma pauta positiva para a Câmara.
O candidato tucano adotou uma campanha que, além de buscar os votos dos deputados, pretende atingir a opinião pública. Fruet pretende se reunir com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). ''A Câmara não pode falar só para seu umbigo'', disse Fruet.
Fruet, que foi atuante na CPI dos Correios e integrou o Conselho de Ética combatendo os mensaleiros e sanguessugas, deve fazer a campanha mais crítica entre seus adversários. Ontem, ele condenou a forma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tratar a sucessão na Câmara. Lula disse que Rebelo e Chinaglia são como dois filhos.
''A relação com o Congresso não pode ser familiar, mas de respeito.'' Ele também criticou o fato de o presidente Lula estar esperando a eleição dos presidentes do Congresso para fazer a reforma ministerial. ''Isso é uma distorção. Passa a impressão que é para premiar aliados fiéis ou compensar aliados derrotados. Essa vinculação é um sinal muito negativo. A consequência disso é a falta de autonomia e de independência do Legislativo, que é tratado como se fosse um órgão do Executivo'', afirmou Fruet.

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