São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmou ontem que, se eleito, uma de suas primeiras medidas seria enviar ao Congresso uma emenda à Constituição para acabar com o mecanismo da reeleição para cargos majoritários. Ele participou de sabatina promovida pela ''Folha de S.Paulo'' com os presidenciáveis, no Teatro Folha.
Alckmin disse que se for eleito, vai encaminhar em janeiro duas reformas para o Congresso: a tributária e a política - que incluiria a emenda contra a reeleição. O candidato, no entanto, indicou que o fim da regra da reeleição somente valeria para as eleições após 2010. ''É óbvio que você não pode mudar a regra depois de feita. Eu não posso tirar o direito dos governadores. Eles foram eleitos em uma regra'', disse ele.
''A reeleição causa uma enorme disparidade na disputa'', criticou. ''Ainda mais no caso de um governo que não tem limite na questão da utilização de máquina pública.'' ''Você vê que os ministros do governo são só cabos eleitorais. Acho que esse pessoal não faz outra coisa'', acrescentou.
Alckmin também procurou evitar gerar uma polêmica com a possível sucessão em 2010, já que há dois outros presidenciáveis em seu partido: os governadores eleitos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). ''Eu vou trabalhar rapidamente para a gente acabar com a reeleição. O meu compromisso é quatro anos e um bom governo'', disse ele.
O candidato do PSDB procurou minimizar a estratégia do PT de divulgar para o eleitor que os tucanos privatizariam estatais como a Petrobras e o Banco do Brasil caso voltem ao poder. Para Alckmin, esse discurso é mentiroso e não deve afetar a eleição. Questionado sobre sua posição ''filosófica'' em relação ao tema, Alckmin respondeu que privatizar o BB e a Petrobras não é sua prioridade. Disse ainda que o setor financeiro ''não é suscetível de privatização''.
Alckmin afirmou ver ''oportunismo'' nos elogios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -candidato do PT à reeleição - ao governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB). ''Isso aí é mais velho que a carochinha. Se o candidato à Presidência fosse o Serra, e eu não fosse candidato a nada, ele estaria se derramando de amor por mim. Isso é o oportunismo'', afirmou Alckmin.

mockup