Curitiba - O candidato à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB), em entrevista concedida à imprensa ontem à tarde, em Curitiba, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter sido ''submisso'' em relação ao recente confisco das receitas das refinarias da Petrobras na Bolívia. ''A postura do Lula foi dúbia. Ele não defendeu os interesses nacionais. A política externa brasileira tem sido baseada em uma ideologia, em partidarismo e amizade'', criticou. O processo de nacionalização dos recursos energéticos do país vizinho iniciou em maio, por iniciativa do presidente boliviano Evo Morales.
''Primeiro eu teria recriminado claramente o que foi feito, para distinguir o Brasil desses populismos inconsequentes. Para deixar claro que o Brasil respeita contrato. Em segundo lugar, iria recorrer à corte internacional, exigir cumprimento de contrato, de acordo, de garantia'', disse o tucano, ao ser questionado sobre sua postura à frente da questão, caso fosse presidente do Brasil. Alckmin acrescentou ainda que, depois da eleição, o preço do gás deverá aumentar. ''A população brasileira vai pagar duas vezes. Porque isso cria uma insegurança jurídica em toda a América Latina. Espanta investimento e diminui empregos. É ruim para o Brasil e para a Bolívia'', justificou.
As críticas ao governo Lula, candidato à reeleição, não se resumiram à política externa brasileira. Alckmin disse que o ''Brasil está crescendo muito pouco'' e atacou a política econômica mantida pela atual gestão. ''Se continuar assim, vai demorar cem anos para dobrar a renda per capita. Não é possível o Brasil ser o último da fila''. O candidato disse que o Brasil segue ''receita para não crescer'' e apontou a carga tributária como uma das causas do problema. ''Para o Brasil crescer é preciso juros mais baixos, cortes de gastos supérfluos e eficiência no governo'', disse.
Alckmin, que concedeu entrevista no terminal de ônibus do Boqueirão, também disse que reduzir as tarifas dos transportes públicos. Após a coletiva de imprensa, Alckmin seguiu em carreata com lideranças tucanas, entre elas o senador Alvaro Dias, candidato à reeleição, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, coordenador da campanha eleitoral do presidenciável no Paraná. Em seguida, Alckmin faria um comício na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana da Capital, mas teve que cancelar o compromisso em função da forte chuva. Estimativa da Polícia Militar do Paraná é de que cerca de mil pessoas já estavam no local antes do cancelamento. Alckmin viajou depois para Blumenau (SC).
O candidato a governador do Estado pela coligação Voto Limpo (PPS/PFL), Rubens Bueno, também acompanhou o tucano, já que o PFL, nacionalmente, está coligado com o PSDB. Já o senador Osmar Dias (PDT), que também é candidato ao governo do Paraná, não acompanhou a visita do tucano, ao contrário do que ocorreu na última passagem do presidenciável pelo Estado.

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