São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, desconsiderou ontem os resultados da pesquisa Datafolha divulgados terça-feira à noite afirmando que o segundo turno ''zera'' a eleição. Para o tucano, a campanha recomeça hoje, com a volta do programa eleitoral no rádio e na TV, sem diferença favorável a ninguém. O Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, oscilou positivamente um ponto percentual, chegando a 51%, enquanto Alckmin marcou 40%, três pontos a menos que na pesquisa anterior.
''A campanha vai recomeçar amanhã (hoje), com a TV e o rádio. Zera tudo, começa daqui para frente. Nós vamos crescer de novo'', disse o candidato, em entrevista às rádios ''Bandeirantes'' e ''BandNews''.
Para reforçar a idéia de que confia numa virada, o candidato do PSDB desqualificou as pesquisas de intenção de votos. ''Sempre gostei de estatísticas, mas como erraram (no primeiro turno) uma barbaridade. Você pode escolher quem errou menos'', comentou.
De acordo com Alckmin, as pesquisas feitas pelo Datafolha nas últimas eleições sempre erraram sobre o desempenho do PSDB e do PT. Ele afirmou que, nos pleitos de 2002 e 2004, os candidatos tucanos tiveram votações mais expressivas do que o previsto e o PT, um número menor de votos.
''No meu caso, no primeiro turno, foi subestimada a minha votação e superestimada a do Lula'', acrescentou.
Apesar de a postura mais agressiva adotada por Alckmin no primeiro debate deste segundo turno, realizado no domingo, aparentemente não ter surtido efeito sobre o eleitorado, o candidato deu a entender que não vai mudar de tom. Não usou a palavra ''agressivo'' ou ''ataque'', mas disse que vai seguir fazendo o que fez até agora. ''O estilo é o mesmo: falar a verdade'', disse no início da entrevista.
Ao final, uma hora depois, fez uma definição mais amena de sua estratégia, mas ainda assim alfinetou a campanha do seu adversário. ''Vou falar para as pessoas 'olha, dá pra melhorar', e desmentir as mentiras. Todo dia é uma mentira para gerar medo'', afirmou.
Entre os temas que Alckmin considera mentiras de seu adversário, a mais explorada na entrevista foi a questão das privatizações. O candidato insistiu que não há previsão de processos de privatização em seu programa de governo e tentou reverter a discussão, afirmando que a proposta de seu adversário é aumentar impostos.
''O governo Lula, com esta cabeça de que não tem o setor privado, vai ter que aumentar mais imposto'', acusou Alckmin, depois de dizer que ele não pretende fazer ''venda de ativos'', mas ''trazer a iniciativa privada para fazer parceria público-privada'' para a ampliação da infra-estrutura do país. ''Ele (Lula) não vai cortar gastos. Vai aumentar impostos'', afirmou.

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