Alckmin derruba entrave à aliança com o PFL
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quinta-feira, 04 de maio de 2006
Cida Fontes<br>Agência Estado 
Brasília - O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, fechou ontem o apoio do PFL da Bahia, removendo um dos principais entraves à formalização da aliança nacional com o partido. Ele desembarcou secretamente em Brasília para um rápido café da manhã com o governador Paulo Souto e confirmou sua primeira visita à Bahia nos dias 12 e 13 de maio. Mas a presença de Alckmin no palanque do PFL teve um preço: o racha do PSDB baiano.
Não estarei com o PFL, e quem quiser apoiar Paulo Souto será dissidente, avisou o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), inimigo do PFL baiano. É um claro sinal de que essa briga ainda vai longe. E terá seus próximos capítulos na próxima semana, durante a visita de Alckmin à Bahia. Ele vai cumprir uma intensa programação com Souto, incluindo o interior, onde o PFL é forte. Mas prometeu, segundo Jutahy, reservar algumas horas de sua agenda para um evento com os tucanos.
Enquanto o PFL anuncia que haverá neutralidade de Alckmin na briga pelo Senado, o PSDB nega esse entendimento. Resolvida a situação da Bahia, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) partiu ontem mesmo para cima do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Ele cobrou pressa na formalização da aliança, mesmo que a escolha do vice da chapa de Alckmin fique para depois. Na sua avaliação, a falta da aliança estaria refletindo negativamente nas pesquisas e no baixo desempenho do presidenciável. Acho que a formalização precisa ser rápida, disse ACM, pedindo uma solução para antes da visita do pré-candidato à Bahia.
Enquanto ACM pressiona Bornhausen, o líder do PSDB na Câmara tenta irritar ACM, afirmando que Alckmin terá dois palanques para o Senado. E rebate o raciocínio de que teria ficado isolado com o acordo e estaria causando constrangimentos ao tucano. Nada disso, Alckmin vai participar da festa do PFL e depois vai ao diretório do PSDB, disse, antecipando o encontro de Alckmin com o candidato do PSDB ao Senado, Antonio Imbassahy.
Na avaliação de Jutahy, a hostilidade a Imbassahy, que trocou o PFL pelo PSDB, deve-se sobretudo pela preferência do ex-prefeito de Salvador nas pesquisas. O candidato de ACM é o senador Rodolpho Tourinho que está em desvantagem. Para Jutahy, o apoio de Imbassahy na capital e região metropolitana, onde é forte eleitoralmente, é importante para Alckmin.
A negociação entre o PSDB e o PFL baiano começou anteontem, durante reunião entre o governador Paulo Souto, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), o coordenador da campanha de Alckmin, senador Sergio Guerra (PSDB-PE), o senador Antonio Carlos Magalhães e o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Para recompensar os dissidentes do PSDB, o governador prometeu espaço em sua administração, caso seja reeleito.
O desfecho da negociação repete o cenário de 1998, quando os tucanos racharam no Estado. Um grupo apoiou o pefelista César Borges ao governo estadual e outro, também liderado por Jutahy, se negou a subir no palanque de Fernando Henrique Cardoso com o PFL.


