Curitiba – Cumprindo agenda em Curitiba, ao participar de um evento que reuniu presidentes de tribunais de Justiça de todo o País, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que não é contra o processo de impeachment, mas que primeiro é necessário investigar e cumprir a Constituição. Tal postura tem chamado a atenção, principalmente porque o presidente nacional do partido e candidato derrotado nas urnas nas eleições do ano passado, Aécio Neves, é um dos maiores entusiastas ao se falar num possível pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT).
Cauteloso, Alckmin ressaltou que é preciso esperar os resultados das apurações em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal de Contas da União (TCU) antes de adotar qualquer posicionamento. "Nunca disse que sou contra o impeachment, tanto que já votei favoravelmente ao impeachment do presidente Collor. Tenho dito que é preciso investigar e cumprir a Constituição. Hoje não tem uma proposta de impeachment. Amanhã, tendo, vamos analisá-la, mas agora a prioridade é a investigação", afirmou.
Aécio, por outro lado, vem declarando abertamente ser favorável ao impeachment, e inclusive liderou a convocação aos correligionários para participar das manifestações contrárias ao governo federal do último dia 16. Alckmin e Beto se recusaram a atender o chamado do senador. Não se sabe o real motivo das recusas, entretanto, o momento dos dois governos não é nada favorável (um passa por problemas hídricos, com o fantasma da falta de água; e o outro ainda sente reflexos negativos de medidas impopulares procurando equilibrar suas finanças). A explicação de ontem, no entanto, foi outra. "Não há nenhum racha no PSDB. Nenhum governador dos 27 estados participou das manifestações. A tarefa nossa é a governabilidade, é governar, é diferente né...", disse Alckmin. Ele também não tocou no assunto sobre uma provável disputa com Aécio para ser escolhido na chapa para as eleições de 2018.
Mesmo não falando abertamente sobre o impeachment, o governador de São Paulo não dispensou críticas ao governo federal. Ele ressaltou que há uma crise conjuntural e estrutural na União, e que para ser enfrentada, seria preciso a promoção de reformas políticas, tributárias, fiscais e administrativas. "O Brasil ficou caro antes de ficar rico e, desta forma, o País perdeu competitividade", apontou.
Alckmin ainda evitou assuntos polêmicos, como a denúncia contra o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Questionado se tal decisão da Procuradoria Geral da República (PGR) pudesse enfraquecer o político, abrindo espaço para o PSDB se fortalecer como oposição na Casa, ele apenas respondeu que a questão "é um assunto interno da Câmara".

ESCÂNDALO DO METRÔ


O governador paulista também criticou a postura de alguns manifestantes pró-Dilma que, na quinta-feira, durante os protestos de apoio ao governo, cobravam investigações sobre o cartel do metrô de São Paulo. Segundo o Ministério Público paulista, o crime de cartel ocorreu durante a reforma das Linhas 1 (Azul) e 3 (Verde) e a modernização de 98 trens dessas linhas. As práticas anticoncorrenciais nos procedimentos licitatórios teriam ocorrido no governo de José Serra (PSDB), entre 2008 e 2009. "O caso do metrô é importante destacar que houve monopólio, ou seja, empresas acertarem entre si para diminuir a concorrência, mas o governo, no caso, é vítima, e nós entramos na Justiça contra dez empresas. Agora quem apura o cartel é o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Então, cabe ao governo federal, pois não é algo simples, terminar essa apuração. Toda a nossa parte nós fizemos. Já no caso do PT, o que a gente vê, é que a corrupção ficou endêmica, é um modelo de governar totalmente falido", reforçou Alckmin.

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