São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que sua decisão de deixar o cargo até 1º de abril para tentar concorrer à Presidência da República é ''óbvia'' e ''natural''. Ele negou que, anunciando desde já sua retirada, esteja pressionando seu partido e o prefeito paulistano José Serra (PSDB) seu concorrente interno na disputa a definir logo a candidatura tucana para presidente.
Domingo, Alckmin anunciou que irá deixar o cargo. Ontem, ao reafirmar a intenção em evento no Palácio dos Bandeirantes sede do governo recebeu apoio de tucanos como o vereador paulista José Aníbal, ex-presidente da sigla.
O governador aproveitou para elogiar o vice, Cláudio Lembo (PFL), que deverá substituí-lo e ocupar o governo por nove meses. ''O doutor Lembo é um craque. (Em) tarefas de engenharia política e jurídica, ele, com seu conhecimento jurídico e bom senso, busca sempre as melhores decisões.''
Sobre sua retirada, disse: ''Eu quero ser candidato. É óbvio que tenho que deixar o governo antes do prazo da lei''. Questionado se sua decisão poderia provocar um racha no partido, negou.
Para manter a unidade do PSDB e garantir o apoio do PFL para Serra ou Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem assumido uma posição de destaque nas articulações, embora seus amigos afirmem que nem ele definiu o seu candidato. Com discrição, Fernando Henrique conseguiu se reaproximar do senador José Sarney (PMDB-AP), com quem tem falado com frequência. Um dos objetivos é atrair o PFL do Maranhão e costurar o apoio da senadora Roseana Sarney (PFL-MA), que tem o controle dos votos no Estado.

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