Alckmin avança sobre reduto de Lula
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quinta-feira, 05 de outubro de 2006
Agência Estado 
Salvador - O candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin, tentou ontem neutralizar o discurso do PT na Bahia e se comprometeu, se eleito, a fazer uma ''parceira'' com o petista Jaques Wagner, eleito para o governo estadual. Esse discurso foi acertado na véspera pelas cúpulas do PSDB e PFL. Mas, apesar de seguir à risca a orientação, o candidato não se livrou de cenas de constrangimento, patrocinadas pelo PSDB baiano, adversário histórico do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), autor do convite da visita a Salvador.
''Assumo aqui um compromisso: quero ser um presidente diferente de Lula, que perseguiu o governador Paulo Souto e virou as costas e prejudicou a Bahia'', disse, tanto nas reuniões do PSDB e do PFL, organizadas separadamente. Arrancando aplausos, Alckmin disse que Lula, agindo assim, não devolveu aos eleitores baianos a confiança depositada em 2002, quando recebeu uma votação consagradora. Com essa declaração, Alckmin tentar ampliar sua votação na Bahia, maior colégio eleitoral do Nordeste, onde obteve 26%. Lula, que teve 66% dos votos, desembarcara hoje em Salvador para um grande comício.
Apesar da derrota do grupo político de ACM e do tucano Antonio Imbassahy para o Senado, Alckmin quis prestigiar os aliados, considerando que não seria elegante recusar o convite, justamente na véspera do comício de seu adversário. Na reunião com o PSDB, que soube da visita na véspera e saiu correndo atrás de um local apropriado, Geraldo Alckmin, já preparado, citou três vezes o nome de Jaques Wagner. Ele destacou o interesse na parceria e disse que estarão de ''mãos dadas'' em favor da Bahia.
Mas, com a fisionomia fechada, teve de ouvir do líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior, palavras hostis contra seu aliado ACM. O deputado revelou que votou em Jaques Wagner para o governo estadual. Ele elogiou o pefelista Paulo Souto. ''Ele não foi derrotado, quem perdeu foi o atraso do carlismo'', festejou. Ao perceber o desconforto, completou: ''É para constrangê-lo?''. ''Não'', respondeu. ''Eu poderia falar isso em particular, mas as pessoas sabem o que penso'', continuou.
Além de criticar ACM e seus seguidores, o líder do PSDB praticamente exigiu ''uma palavra firme'' de Alckmin sobre Jaques Wagner, quando quis saber se o petista seria ''apoiado nos seus pleitos''. O temor do PSDB baiano é de que, caso Alckmin vença a eleição, ACM se fortaleça e tente retaliar o governo do PT para retomar o poder, como teria acontecido no passado durante a gestão do ex-governador Waldir Pires.
Em meio a esse clima de rivalidade, Alckmin não poupou ataques ao seu adversário e cobrou explicações sobre o escândalo da compra do dossiê. Além de procurar desmontar o discurso do PT baiano, desmentiu também informações, atribuídas a adversários, de que se eleito iria privatizar empresas estatais como Banco do Brasil e Caixa Econômica, e acabar com o Bolsa-Família.
''Meus adversários andam espalhando por aí algumas mentiras. Vamos reestatizar o que o PT privatizou para o PT. Não há nenhum projeto de privatização. Pelo contrário. Vamos investir em empresas públicas, como Banco do Brasil, Correios, Caixa Econômica Federal e Petrobras'', disse ele ao se referir a ''partidarização'' de algumas instituições, que teriam sido ''instrumentalizadas'' pelo PT.


