São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, disse ontem em sabatina no Grupo Estado que no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ''o País retrocedeu à idade da pedra sob o ponto de vista ético''. Para ele, Lula ''foi tolerante'' com o crime e não impediu o surgimento de escândalos. As acusações foram feitas dentro da série de entrevistas Eleições 2006 no Estadão, em que o candidato tucano respondeu durante duas horas às perguntas de jornalistas do Grupo Estado. Alckmin disse que o dossiê Vedoin não é um fato isolado. ''As estatais foram privatizadas pelo PT. Vejam o nível de tolerância de Lula com o crime: ele disse que é grosseria. Não é grosseria. É crime.''
Às vésperas do segundo turno e com mais de 20 pontos porcentuais atrás do adversário nas intenções de voto, o candidato disse ainda que ''o PT e Lula tiveram a oportunidade de governar o País, mas a deixaram passar''. Para ele, ''o Brasil pode mais. Pode ter um governo, sob o ponto de vista ético, com valores; sob o ponto de vista da eficiência, com boa gestão; e, sob o ponto de vista de crescimento, com emprego e renda, que é o que interessa''.
Em outro momento acusou seu adversário de estar ''enganando o povo'', porque ''as despesas já feitas levarão a um aumento da carga tributária de 1,2% do PIB''. Segundo ele, será inevitável no ano que vem o aumento do preço de alguns alimentos. ''Quero olhar na cara do povo antes e depois das eleições. Vamos ver como ele está enganando o povo, pois teremos um aumento no preço dos alimentos.''
A gestão do petista sofreu também duras críticas. Alckmin afirmou que o governo Lula ''investiu menos em educação, enquanto países como Coréia ou Chile investiram maciçamente''. Que a Saúde arrecadou R$ 30 bilhões no ano passado e nada repassou para Estados e municípios. Que o crescimento ''andou de lado, foi de apenas 2%, contra 5% no mundo''. Por fim, que a taxa de investimentos caiu 17%. ''Isso tudo no melhor cenário econômico dos últimos tempos, com a maior liquidez internacional.''
Ele deu uma explicação curiosa para o fato de estar bem atrás de Lula nas intenções de voto. Admitiu que ''o PSDB é fraco em muitos Estados''. E comentou: ''Como ganhei no Acre? Nem eu sei.'' Mas disse esperar no domingo uma votação maior do que apontam as pesquisas. ''A diferença é de um dígito e ainda há como mudar.'' Lembrou que ''viradas em eleições sempre ocorrem'', citando como exemplo a eleição para governador de São Paulo em 2002. Admitiu, no entanto, que a pesquisa ''tem um forte papel desmobilizador''.

mockup