Alcides Tápias assume Desenvolvimento
Das Agências
De Brasília
O porta-voz da Presidência da República, George LamaziSre, confirmou ontem, por volta das 19 horas, que o empresário Alcides Tápias, presidente do Grupo Camargo Corrêa, é o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em substituição a Clóvis Carvalho, demitido na sexta-feira, depois de criticar o colega da Fazenda, Pedro Malan. Tápias esteve reunido ontem com o presidente Fernando Henrique no Palácio da Alvorada. Não há data prevista para a posse.
Alcides Lopes Tápias trabalhou no Bradesco por quase 40 anos. Saiu em fevereiro de 1996, alegando motivos pessoais, quando era vice-presidente da instituição. À época, o mercado atribuiu sua decisão ao processo sucessório no banco. Após a saída do Bradesco, Tápias, que trabalhava no banco desde 1957, assumiu a presidência da Camargo Corrêa. Em 96, a empresa tinha 17 mil empregados, R$ 2,8 bilhões de patrimônio líquido e receita líquida de R$ 1,6 bilhão.
A entrada de Tápias na Camargo Corrêa tinha como objetivo profissionalizar a direção da empresa, que desde 1994 era presidida por Dirce Navarro de Camargo, viúva do fundador do grupo, Sebastião Camargo. Quando assumiu a Camargo Corrêa, Tápias fez parte de uma redefinição da estratégia da empresa e estabeleceu como prioridade participar de concessões nas áreas de energia elétrica, estradas e telecomunicações.
Tápias não se alinha entre os críticos do programa de privatização. Em 96, ao assumir a presidência da empresa, elogiou o processo, que teria o ritmo próprio da democracia. Se houver precipitação poderia haver uma volta atrás, o que seria desastroso, disse.
O novo ministro do Desenvolvimento exerceu também, no período de 1991 a 1994, a presidência da Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos) e foi membro, no mesmo período, do Conselho Monetário Nacional.
O deputado federal Delfim Neto (PPB-SP) disse que a indicação de Tápias foi uma boa coisa. Ele tem grande experiência empresarial; vai enriquecer o governo com sua experiência; ele trabalhou na área financeira, durante anos, no tempo em que banco ainda emprestava dinheiro, e, agora, estava à frente de um grande grupo.
O presidente do Conselho Federal de Economia, Antônio de Côrrea de Lacerda, considera positiva a escolha de Tápias. Ele é um executivo que tem experiência acumulada não só no setor financeiro como no setor produtivo. Por isso, Lacerda acredita que Tápias tem uma visão sistêmica da economia brasileira e poderá contribuir muito para a implementação de uma política de desenvolvimento.
Quanto à possível incompatibilidade entre quem vai ocupar a pasta do Desenvolvimento e o titular da Fazenda, o ministro Pedro Malan, na visão de Lacerda, não existe contraposição entre a estabilidade e o desenvolvimento. Precisamos garantir a estabilidade e criar as condições para o desenvolvimento, ressaltou.
O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), avaliou que a escolha de Tápias foi apenas uma forma de o governo resolver o problema e encerrar logo a polêmica, a fim de evitar mais desgaste. Para Dirceu, Tápias não tem bons antecedentes por estar ligado ao sistema financeiro, que sempre foi o setor mais privilegiado neste governo.Diretor de grupo empresarial e ex-vice-presidente do Bradesco é o nome escolhido por Fernando Henrique para substituir Carvalho
Arquivo FolhaNOVA MISSÃOAlcides Tápias: chamado ontem pelo presidente Fernando Henrique para reunião no Palácio da Alvorada, empresário aceitou convite para integrar o ministério do segundo governo





