Arquivo FolhaPara o futuroAlceni: ‘‘A meta é aumentar a arrecadação em 300 por cento, com a contratação de dez fiscais’’O prefeito de Pato Branco, Alceni Guerra (PFL), ex-ministro da Saúde, está arrumando formas no mínimo curiosas para driblar a crise econômica da prefeitura. Por ‘‘alternativas’’, leia-se a venda do terminal rodoviário, do carro de seu gabinete e ainda a comercialização das ações da Sanepar.
A venda do carro, um Omega 95, rendeu R$ 20 mil à Prefeitura de Pato Branco e o lucro com a rodoviária será de R$ 1,4 milhão. ‘‘Com lei aprovada direitinho pela Câmara e tudo no contrato’’, acrescenta. Já a comercialização das ações renderam R$ 240 mil.
Ele conta que já pagou metade da dívida de R$ 7 milhões herdada da administração passada. Para o ano que vem, Alceni Guerra diz esperar um aumento de 300% na arrecadação da prefeitura entre ISS (Imposto sobre Serviços) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
Para viabilizar a ‘façanha’, em tempos de ‘vacas magras’, ele encerrou ontem um teste seletivo para a contratação de dez fiscais que percorrerão o comércio e empresas prestadoras de serviços cobrando os impostos. ‘‘A gente não tinha nenhum fiscal na prefeitura. Agora eles serão treinados para pôr a arrecadação em dia’’.
A crise das 42 prefeituras no Sudoeste será discutida segunda-feira, às 18 horas, em Francisco Beltrão, durante uma reunião extraordinária da Amsop (Associação dos Municípios do Oeste Paranaense). Prefeitos das cidades da região que fazem fronteira com a Argentina já anunciaram que pretendem fechar no dia 1º de agosto. A Amsop quer saber se a paralisação será unânime.
Collor Alceni confirmou a vinda do ex-presidente Fernando Collor a Pato Branco no segundo semestre, mas negou que a visita seja em outubro. ‘‘Ainda não tem data marcada’’, desconversa. Alceni contou que Collor perguntou ‘‘à queima roupa’’ se poderia visitar Pato Branco. Segundo ele, a conversa, por telefone, ocorreu mês passado, quando Collor esteve no Brasil para o funeral de Frei Damião, em Alagoas. ‘‘Ele viu na TV a propaganda do nosso projeto da criança em tempo integral na escola e perguntou se poderia conhecer. Eu disse que sim’’.
O prefeito, aliás, disse que nunca perdeu a amizade de Collor, do qual foi ex-ministro da Saúde de 90 a 91, ano em que pediu demissão do cargo. Alceni foi acusado de diversas irregularidades, mas inocentado de todas elas pelo Supremo Tribunal Federal. Desde o episódio ‘‘impeachment’’, Alceni Guerra diz que continua conversando ‘‘pelo menos duas vezes por ano com Collor’’. ‘‘Eu nunca interrompi os contatos com ele’’, revela. Alceni não teme que a visita do ex-presidente tenha uma repercussão negativa junto à opinião pública. ‘‘Tive 75% dos votos aqui’’, gaba-se.

mockup