O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, pediu demissão ontem, gerando um clima de constrangimento dentro do governo Jaime Lerner (PFL). A carta de demissão foi encaminhada ao governador à tarde. Os secretários mais influentes, como o de Governo, José Cid Campêlo Filho; e o de Fazenda, Giovani Gionédis, ficaram sabendo por jornalistas da decisão de Alceni.
O chefe da Casa Civil defende um pedido de demissão coletiva do secretariado. Os secretários da Justiça, Pretextato Taborda Ribas, e da Ciência e Tecnologia, Ramiro Wahrhaftig, aderiram à idéia e colocaram ontem mesmo seus cargos à disposição. Alceni acha que o governador precisa melhorar a qualidade de sua equipe. ‘‘É um gesto necessário. Para uma nova oposição – aguerrida, competente e que pode se tornar avassaladora – é preciso um governo novo e isso tem que ser feito com rapidez’’, justificou.
Alceni não quis sinalizar os setores com mais problemas junto ao governo. Até porque ele não está disposto a comprar uma briga com os secretários que não querem abrir mão de suas pastas. ‘‘Nem todos os secretários entendem de política’’, observou o ex-chefe da Casa Civil. Alceni deu a entender que só uma nova equipe de governo pode dar sobrevida política ao governador, que está desgastado politicamente, depois da apertada vitória do prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL) sobre o deputado Ângelo Vanhoni, o candidato do PT nas eleições.
O governador Jaime Lerner, através de sua assessoria de imprensa, informou que ontem não falaria sobre a demissão de seu secretário da Casa Civil. O governador comentou que a decisão é ‘‘irreversível’’ e ‘‘não foi combinada’’. Hoje Lerner deve passar o dia em reuniões para tentar costurar a formação de um novo secretariado. Ontem, no Centro Cívico, já circulavam especulações de que a decisão de Alceni foi orientada pela executiva nacional do PFL, que estaria disposta a investir no governador na briga presidencial de 2002, porém com uma condição: uma equipe de governo menos comprometida.
O ex-chefe da Casa Civil nega e diz que a iniciativa foi própria. ‘‘Estou dando uma orientação política aos secretários. Segue quem quiser’’, reforçou ele. Tato Taborda, que também já foi chefe da Casa Civil, se somou ao discurso de Alceni Guerra, no entanto, com um tom bem mais conciliador. ‘‘A posição correta é deixar o governador de mãos livres. Não cabe à nós mudar o governo’’, ponderou. Para o secretário de Justiça, ‘‘o mais importante neste momento é garantir a governabilidade e o trato político’’.
Ramiro Wahrhaftig confirmou seu desligamento ao governador logo depois de um telefonema de Alceni Guerra. ‘‘Eu também deixo o meu cargo à disposição. Acho que individualmente o governo Lerner tem uma equipe madura. O problema é o todo. Ele tem de estar liberado para promover as mexidas. É um novo momento político pelo qual passam o Estado e as prefeituras’’, declarou.
O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, não escondeu a sua surpresa com o anúncio de Alceni. Campêlo ocupou a Casa Civil antes da nomeação de Alceni, há cerca de cinco meses. ‘‘Não tenho nada a declarar.’’

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