Alagoas vai pagar R$ 106 mi da dívida do Banestado
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
Catarina ScortecciEquipe da Folha 
Curitiba - O governo do Paraná enviou ontem à Assembleia Legislativa um projeto de lei que autoriza o Executivo a receber R$ 106.755.412,19 do Estado de Alagoas. Trata-se de mais um capítulo da novela em torno dos títulos públicos do Banestado, adquiridos em 2002 pelo governo do Paraná em função do saneamento da instituição bancária para privatização, e emitidos por Alagoas, Santa Catarina, Pernambuco, e os municípios de Osasco e Guarulhos, no Estado de São Paulo.
A dívida de Pernambuco seria a única já paga, mas no texto de justificativa que acompanha o projeto de lei está escrito que o negócio pode ajudar a resolver as pendências do Paraná junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), dando fim à multa que vem sendo aplicada mensalmente contra o Estado. A União começou a aplicar a multa em 2004, depois do Estado se recusar a pagar os títulos públicos, considerados podres, ou seja, sem valor de mercado.
A Reportagem apurou que o valor já estava sendo negociado com Alagoas há meses. A quantia representaria somente parte da dívida de Alagoas com o Estado, mas, ontem, a Reportagem não conseguiu saber da Fazenda quanto exatamente o Estado estaria abrindo mão ao aprovar tal acordo com Alagoas. O líder da bancada independente, deputado estadual Reni Pereira (PSB), disse que, a grosso modo, a dívida de Alagoas hoje seria em torno de R$ 280 milhões. Ou seja, o Paraná estaria abrindo mão de pelo menos R$ 170 milhões.
Para fazer o cálculo,
Reni comparou o crescimento do total da dívida dos
dois Estados e dos dois municípios no ano de 2002 e em 2008, quando os valores atingiram, respectivamente,
R$ 456.618.986,78 e
R$ 1.224.352.023,53. Considerando que R$ 106.755.412,19 seria referente ao saldo devedor de Alagoas em 2002, Reni fez uma estimativa de quanto seria hoje a dívida. Não precisaria de uma autorização do Legislativo se o Estado fosse apenas receber um pagamento. Ele provavelmente vai abrir mão de recursos, disse Reni.
Embora desconheçam os detalhes do projeto de lei, parlamentares afirmaram ontem que a quantia pode ser positiva aos cofres do Estado, num momento de crise econômica mundial.
A dívida poderia ser paga até 2012, mas a antecipação teria sido proposta pelo governo de Alagoas, que desejaria sair da inadimplência para obter empréstimos com o BID. (...) acredito, apesar das dificuldades econômicas que ainda persistem, ser chegada a hora de por fim à pendência entre Alagoas e Paraná, antecipando, por um lado, o prazo pactuado de 2012, mas, por outro lado, liberando ambos os Estados dos entraves reiteradamente colocados pela União (...), diz trecho da carta assinada pelo governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), e destinada ao governador Roberto Requião (PMDB).


