Alagoas prepara calote de R$ 100 mi
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sexta-feira, 30 de maio de 1997
Agência Estado, de Brasília 
Arquivo FolhaDomingo negroDivaldo Suruagy: descontrole financeiro e crise políticaO governo de Alagoas, que há seis meses não paga seus funcionários, vai dar um calote de R$ 109 milhões em pelo menos 19 instituições financeiras e fundos de pensão, que adquiriram ou custodiaram títulos emitidos fraudulentamente pela administração estadual. Os títulos vencem amanhã e o Estado não tem dinheiro para resgatar os papéis nem condições legais de renovar os títulos. Além de quebrado financeiramente, Alagoas vive sua maior crise política, com a renúncia do governador Divaldo Suruagy (PMDB) sendo exigida até por seus aliados.
Suruagy assumiu o governo de Alagoas pela terceira vez, em 1995, herdando uma dívida de R$ 450 milhões. De lá para cá, conseguiu mais de R$ 1 bilhão em empréstimos e repasses do governo federal, mas a dívida do Estado elevou-se para cerca de R$ 2,3 bilhões, como consequência de uma política salarial desastrada, entre outros aspectos. Nos primeiros seis meses de governo, Suruagy elevou a folha de pagamentos de R$ 27 milhões mensais para cerca de R$ 60 milhões, com uma receita de apenas R$ 80 milhões por mês.
Além do descontrole nas contas, o governador emitiu R$ 400 milhões em títulos para o suposto pagamento de dívidas judiciais (precatórios), operação considerada fraudulenta pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos. Uma resolução do Senado proibiu que os títulos sejam revalidados. O que vence amanhã, com obrigação de resgate na segunda-feira, é apenas a primeira parcela de quatro. E agora, Divaldo? perguntou, com ironia, o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR). A festa acabou, a conta chegou e terá de ser paga.
É a primeira vez na história que o governo federal não assume uma dívida estadual. Um ministro com franco acesso ao presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu à Agência Estado que o governo não vai assumir a dívida nem emprestar dinheiro para Alagoas honrar o compromisso. Não temos nenhum motivo para socorrer, disse o ministro. É um problema de quem emitiu os títulos e de quem os comprou. Um integrante da equipe econômica lembrou que as instituições que compraram os papéis já obtiveram grande deságio na operação. Quem confiou que o governo ia bancar, vai ter de assumir o risco, avisou. Um político alagoano, também próximo ao presidente, resumiu a situação dos credores: Pelo menos por enquanto, eles vão micar com os papéis.
Ao falar em por enquanto, esse parlamentar se referia a uma saída política para a crise, o que envolve o afastamento do governador Divaldo Suruagy, para que o governo seja ocupado pelo vice, Manoel Gomes de Barros. Mano, como o vice é conhecido, tem mais ascendência sobre a Assembléia Legislativa do que o titular. Foi ele quem conseguiu impedir, recentemente, a votação de um pedido de impeachment de Suruagy. Em janeiro, o governador chegou a prometer que se afastaria, mas agora mudou de idéia. Argumenta, segundo seus amigos, que sairia como responsável pela crise e não como vítima.
Na última conversa que teve com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na quarta-feira, Suruagy sequer colocou em discussão a hipótese de renunciar ou se afastar do cargo. Por enquanto, o governador tem uma carta na manga: o governo federal não apóia qualquer pedido de intervenção no Estado.


