Alagoas dá calote
e não paga os
títulos públicos
Agência Estado
O governador de Alagoas, Manoel Gomes de Barros (PTB), disse que o Estado não tem condições de pagar o resgate do segundo lote de 75 mil Letras Financeiras do Tesouro Estadual (LFTE), avaliado hoje em R$ 140 milhões. ‘‘Não temos condições de honrar esse compromisso’’, afirmou.
Ele disse que poderá incluir o prejuízo, estimado em R$ 560 milhões com a emissão dos títulos, na rolagem da dívida do Estado, que está sendo negociada com o governo federal. ‘‘Só falta assinar o contrato. O prazo para rolagem termina dia 30 de junho’’, disse Barros.
O segundo lote das Letras venceu ontem e, a exemplo do primeiro, vencido em 1º de junho de 97, não foi pago. Os títulos foram emitidos para pagar precatórios, mas todo o processo foi considerado fraudulento pela CPI do Senado.
Os detentores dos papéis - bancos, corretoras, administradores de fundos de investimentos e fundações - já sabiam que o governo do Estado não teria condições de resgatar os títulos. Para o governador, quem investe neste tipo de papel sabe os riscos que corre. ‘‘Não podemos desmoralizar os títulos públicos, mas como vamos resgatá-los se não temos dinheiro?’’, completou Barros.
O secretário estadual da Fazenda, Roberto Longo, diz que a inclusão das Letras na rolagem da dívida vai depender do Tesouro Nacional, do Senado e do Banco Central. Contrário ao calote, ele acha que, apesar de ser um ano eleitoral, uma boa avaliação do processo de emissão e venda dos papéis pode ser explorada para esclarecer a questão.

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