Alagoas: Barros pede colaboração dos suspeitos
O governador de Alagoas, Manoel Gomes de Barros (PTB), pediu ontem, no salão de despachos do Palácio dos Martírios, em Maceió, que os parlamentares suspeitos de participar do crime organizado no Estado abram mão da imunidade e deixem a polícia investigar. Barros disse que não haverá recuo na luta contra o crime organizado.
Sei que estou contrariando interesses políticos, mas quem estiver comprometido com essa bandidagem terá de se entender com a Justiça; lugar de quem comete crime é na cadeia, afirmou Barros, sem querer citar os nomes dos cinco deputados estaduais, um prefeito e um ex-vereador investigados pela Polícia Federal (PF).
Barros reconheceu que a criminalidade em Alagoas sempre esteve atrelada aos interesses políticos. Ele disse que antes dele nunca um governador teve tanta determinação em enfrentar o crime organizado. Chegou a hora de fazer uma limpeza nesse Estado para que os homens de bem, que são a maioria, não sejam refém dos fora da lei, afirmou o governador, negando que a operação limpeza seja uma jogada eleitoral. Não tomei as medidas antes porque eu era vice-governador, estava na garupa do Poder; agora que tomei as rédeas do governo, já posso derrubar o boi, brincou, lembrando que é bom de vaquejada (esporte em que o vaqueiro derruba o boi pelo rabo).
Entre as recomendações feitas às autoridades policiais que investigam as ações do crime organizado, o governador pediu a garantia de proteção às testemunhas da quadrilha de assaltantes. Ele admitiu que pode haver pessoas infiltradas dentro da própria polícia, tentando proteger os criminosos. Anteontem, a Polícia Militar descobriu um plano de fuga após uma revista às celas onde estão presos 14 PMs, desde o início do mês. Foram apreendidos três telefones celulares, cinco facas, duas chaves de automóveis e uma chave mestra, além de cartuchos de pistola calibre 9 milímetros.
Outra preocupação do governador é quanto à integridade física do coronel da PM Manoel Cavalcante, que está preso desde o dia 16 num alojamento do quartel do comando da Polícia Militar. Considerado um arquivo vivo do crime organizado, o coronel poderá ser transferido para uma das celas da PF. Ele teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Jerônimo Roberto dos Santos, que está ameaçado de morte. O coronel foi denunciado e está sendo processado por formação de quadrilha, roubo de carros e porte ilegal de armas. Contra ele, que é pré-candidato a deputado estadual pelo PMDB, pesa também a acusação de ter sido o mandante do assassinato do xerife do Fisco em Alagoas, Sílvio Viana, em outubro de 1996. Este caso passa agora a ser investigado pela PF.
O cerco contra os integrantes da quadrilha, comandada por Cavalcante, começa a ser fechado. Anteontem, foi preso o advogado Vinícius de Andrade, que estava destruindo provas e ameaçando testemunhas. Ele está preso no quartel do Corpo de Bombeiros porque tem curso superior. Ontem, a polícia capturou mais dois assaltantes que fazem parte da quadrilha e estavam com prisão preventiva decretada. A Justiça montou um equipe de 15 juízes, que estão colhendo depoimentos no Fórum de Maceió, com o apoio de cinco promotores. O esquema foi montado depois que o juiz Santos e a presidente da Associação dos Magistrados, Nelma Padilha, receberam ameaças de morte.





