Ala vencedora exige renúncia de Paes
Depois de conquistado o apoio do partido à reeleição, a ala governista do PMDB já estipulou um prazo de 30 dias para sua nova prioridade: tirar o deputado Paes de Andrade (PMDB-CE) da presidência do partido. Os aliados de Fernando Henrique Cardoso querem convencer Paes de que sua renúncia é um ato de coerência e sensatez, depois da derrota sofrida no domingo. Depois do jantar de comemoração pela vitória da ala governista, no final da noite de domingo, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), admitiu que a permanência de Paes no comando do partido seria muito complicada.
Depois da derrota da tese da candidatura própria, que ele defendia, Paes ficou numa situação delicada para continuar na presidência do partido, explicou. Mas sei que ele é um homem que tem grandeza e saberá se afastar, contou Temer.
A resistência de Paes, no entanto, poderá levar o grupo a radicalizar, com uma renúncia coletiva da maioria governista do diretório nacional. Desaparecendo a maioria, o diretório acaba, observa o segundo vice-presidente do partido, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), um dos destacados para estudar as medidas legais para que a ala vitoriosa na convenção de domingo se livre da presença incômoda de Paes no comando do partido. Durante a convenção, uma manobra do grupo de Paes acabou inviabilizando a votação do segundo item da pauta, que era justamente a permanência do atual comando do partido. As votações da tese da candidatura própria e do mandato do diretório foram divididas e, com o esvaziamento do plenário, Paes acabou ganhando uma sobrevida.
Para que seja decidida a permanência desse diretório ou seja eleito um novo, uma outra convenção nacional tem de ser convocada - pelo presidente Paes de Andrade, ou pelo Conselho Político do partido. Se Paes recusar a fazer sua parte, podemos convocar o Conselho Político, ameaça Alves. Por enquanto, a tática dos governistas é convencer o presidente a convocar a convenção para no máximo 30 dias e tentar o que chamam de saída honrosa para Paes de Andrade.
Não estamos querendo criar nenhuma hostilidade, nem depor ninguém, mas houve uma votação democrática e uma decisão política, emendou o deputado Moreira Franco (PMDB-RJ). Nossa preocupação agora é a unidade do partido e esta não se faz com a tese minoritária, completou ele, que também está fazendo consulta a advogados para estudar a questão.
Enquanto Paes é cobrado pelos colegas a tomar uma postura coerente com a decisão da maioria dos convencionais, os dirigentes do partido tentam rever o acordo feito entre as duas alas na semana passada, quando foi acertado de que o vencedor da primeira disputa - a tese da candidatura própria ou do apoio à reeleição - levaria tudo. No encontro estavam presentes, pelo lado do governo, o líder no Senado, Jáder Barbalho (PA), o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e o deputado Henrique Alves. Pela ala dos rebeldes, o deputado Paes e seu vice na presidência do partido, Marcelo Barbieri (PMDB-SP).
Paes de Andrade confirmou a amigos, sua disposição de continuar na presidência do partido e criticou as pressões para que renuncie. Querem cassar meu mandato, mas isso eu não aceito.





