Brasília - A chamada ala ''radical'' do PT e os partidos de oposição ao governo criticaram ontem no Congresso o texto da revisão do acordo entre o Brasil e o FMI (Fundo Monetário Internacional) ao afirmar, em linhas gerais, que o governo se submeteu de forma demasiada ao Fundo. Mesmo na base aliada, pontos da revisão, como o compromisso da regulamentação do PL-9, não encontraram consenso.
''Acho que o FMI acredita que o Brasil seja seu office-boy'', afirmou a deputada Luciana Genro (PT-RS). Segundo ela, ''é lamentável que o governo aceite esse tipo de tutela''.
O deputado Babá (PA), outro expoente dos setores mais à esquerda do partido -que fazem coro na crítica à política econômica do governo-, disse que a transição entre o modelo de FHC e a ''mudança'' a que o governo se comprometeu na campanha parece ''não ter fim''. ''É inconcebível o governo Lula se submeter a um acordo como esse'', disse.
O deputado Ivan Valente (PT-SP) também criticou a revisão e disse que o acordo mostraria uma ''usurpação'' do poder de definição da política econômica brasileira por parte do FMI.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que não pertence à ala radical, mostrou preocupação com o fato de o governo Lula incluir compromissos que envolvem aprovação de propostas legislativas pelo Congresso.
Já para o tucano Alberto Goldman (SP) -que pertence a um partido que apóia as linhas gerais do acordo-, o ponto a ser atacado se refere ao estabelecimento de prazos para que o governo envie as reformas ao Congresso. ''Estabelecimento de prazos vai além dos limites previstos em acordos desse tipo. É um exagero de submissão. Daqui a pouco vão querer definir o prazo de aprovação das matérias no Congresso'', disse.

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