Ala governista esvazia AL e impede votação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pela segunda vez, boa parte da bancada governista desapareceu do plenário da Assembléia Legislativa, impedindo ontem a votação do projeto de lei que dobra o salário dos secretários de Estado, de R$ 5,9 mil para R$ 11,9 mil brutos. Minutos antes da votação do projeto, a oposição que é contra a proposta pediu chamada nominal. Apenas 20 dos 54 deputados estavam presentes. O quórum mínimo para deliberações é de 28 parlamentares.
Os governistas temem o desgaste de aprovar esse projeto na véspera da eleição. Durante a sessão de ontem, o presidente estadual do PT, deputado André Vargas, encaminhou à mesa executiva um requerimento para retirar o projeto de pauta por dez sessões. Esse requerimento, no entanto, não chegou a ser votado porque não havia quórum. Vargas alegou que seria necessário mais tempo para discutir a matéria. ''O Executivo poderia ainda mandar uma mensagem mais ampla, reordenando todos os cargos comissionados'', sugeriu.
O próprio autor da proposta, Antônio Anibelli (PMDB), considera o momento delicado e preferia esperar, para não prejudicar a campanha do candidato do governo, Ângelo Vanhoni (PT), que tem como principal cabo eleitoral o governador Roberto Requião (PMDB). Porém, a pedido do governador, o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), que apóia o candidato tucano à Prefeitura de Curitiba, Beto Richa, colocou a matéria em pauta.
Hoje há nova sessão, com a mesma pauta de ontem, mas o projeto só deve ser votado mesmo depois das eleições. O líder do governo, Natálio Stica (PT), não acreditando que o aumento vá refletir no quadro eleitoral, defendeu a votação do projeto agora. Segundo ele, o salário atual está defasado e que o governo está ''fazendo tudo às claras'', colocando o projeto em votação. Mesmo assim, o líder da oposição, Durval Amaral (PFL), fez um apelo para que o projeto seja sepultado.
Depois da sessão de hoje, a Assembléia faz uma espécie de recesso branco, por causa das eleições. Só volta a fazer sessões plenárias após as eleições de 3 de outubro. Brandão justificou que não tem havido quórum e que não há projetos de relevância aguardando votação.


