Ala do PMDB quer romper com FHC
Patrícia Zanin
De Londrina
O PMDB do Paraná está propondo à direção nacional o rompimento do vínculo do partido com o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Este será o teor da Carta de Londrina, que deve ser aprovada hoje durante o Congresso Estadual do PMDB, no Instituto Filadélfia. A previsão do partido é trazer a Londrina 3,5 mil filiados. O Congresso começa às 9 horas. A principal estrela do encontro é o ex-presidente da República e governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que tem um pronunciamento marcado para as 10h30.
O conteúdo da Carta de Londrina, de três folhas e meia, foi antecipado ontem à imprensa pelo presidente estadual do PMDB, senador Roberto Requião. O documento traz críticas à política econômica, ao alto índice de desemprego e à deficiência das políticas sociais.
Não temos nenhum ponto de contato, nenhuma concordância com esse governo e seu programa. Nada nos aproxima ou nos identifica. Pelo contrário. As políticas neoliberais em execução se opõem radicalmente ao programa e à índole peemedebista, diz o documento. No final, a carta se manifesta à direção nacional do PMDB e aos diretórios estaduais conclamando seus filiados a romper todo e qualquer laço mantido pelo partido às políticas neoliberais do governo comandado por Fernando Henrique Cardoso. O documento, no entanto, não propõe soluções.
Requião reconhece que as principais lideranças do partido como o senador Jáder Barbalho e o presidente da Câmara, Michel Temer, continuarão apoiando a FHC, inclusive com manutenção do PMDB nos ministérios. A cúpula do partido continua lambendo a rapadura e vai continuar, até sangrar a língua, mas vamos mobilizar as bases, defendeu.
Não é de hoje que alguns setores do PMDB falam de rompimento com o governo. Mas a tentativa anterior, arquitetada por Requião e pelo ex-presidente nacional da sigla, Paes de Andrade, saiu frustrada. A nossa proposta não é derrubar ninguém, disse Requião, referindo-se à resistência natural que haveria na saída dos ministros do PMDB do governo. Esse é um movimento de opinião dentro do PMDB. É o partido praticando a democracia interna e manifestando sua opinião contra aqueles que estão absorvidos pelos efeitos da República, alfinetou.
O senador aposta que há clima entre a bancada na Câmara e no Senado, além das bases do partido para o que ele chama de rompimento de laços com o governo federal. Requião reconheceu que acalenta o sonho de ser presidente da República, cargo que ele tentou disputar dentro do partido na campanha de 98. Gostaria muito de ser presidente da República, mas isso não é fundamental. Se não se tem um movimento nacional que modifique a política nacional, não muda nada, argumentou.
O Congresso Estadual também irá discutir eleições municipais. Além de Itamar Franco e de lideranças do Paraná, participarão do encontro o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia - ex-desafeto de Requião - o ex-presidente nacional da sigla, Paes de Andrade, e representantes do partido em Recife, Ceará, Goiás, Piauí, Espírito Santo, e Mato Grosso do Sul. O senador Pedro Simon cancelou a vinda a Londrina.Peemedebistas participam de congresso hoje em Londrina para debater política nacional. Itamar Franco é um dos líderes confirmados
Arquivo FolhaSOY CONTRARequião: documento que será votado hoje afirma que partido não tem nenhum ponto de contato com o governo. Nada nos aproxima





