Arquivo FolhaPuxando tapeteÍris Rezende: ministro da Justiça é um dos articuladores que querem derrubar Paes de AndradeA ala governista do PMDB prepara uma ofensiva para afastar o deputado Paes de Andrade (CE) da presidência do partido até o final do ano. O objetivo é remover o principal obstáculo ao apoio do PMDB à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os governistas esperam dar o golpe decisivo em Paes na reunião do conselho nacional do partido, na quarta-feira. O conselho deverá aprovar a proposta de apoio à reeleição de FHC.
O mesmo grupo que participou do comando político da campanha pela aprovação da emenda da reeleição, em janeiro, está à frente das articulações para garantir o voto da maioria dos 60 membros do conselho.
O ministro Eliseu Padilha (Transportes) adotou o mesmo método de trabalho usado na campanha pela reeleição. Ele elaborou uma planilha para acompanhar a conquista de votos pró-FHC no conselho.
A planilha traz o nome dos membros do conselho, a sua posição e o dia de chegada a Brasília. No caso dos indecisos, a última coluna contém o nome do operador (líder do partido encarregado de conquistar seu voto). Pela planilha, 32 já estariam fechados com FHC, 14 estariam indefinidos e o restante, contra.
O comando espera ter no mínimo 42 votos no conselho. Também integram o comando o presidente da Câmara, Michel Temer (SP); o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA); o líder no Senado, Jader Barbalho (PA), e o ministro Iris Rezende (Justiça). A estratégia dos governistas é definir o apoio a FHC e esperar a renúncia de Paes de Andrade, que teve o mandato prorrogado até setembro do próximo ano por uma decisão da Executiva Nacional.
O conselho político pode anular essa decisão. Se Paes não renunciar e continuar na luta pela candidatura própria do partido, os governistas pretendem convocar a convenção nacional para dezembro ou janeiro para renovar o Diretório Nacional e eleger um novo presidente.
O presidente do partido convocou a convenção para o dia 25 de janeiro e afirma que o conselho não tem poderes para afastá-lo. ‘‘É uma provocação de um grupo adesista, minoritário e dissidente da vontade majoritária das bases’’, disse Paes, que não vai comparecer à reunião.
Para Paes, o grupo que defende a candidatura própria tem maioria entre os convencionais do partido. FHC está pressionando a cúpula do PMDB a decidir se o partido vai ou não participar da sua coligação. O ministro Sérgio Motta (Comunicações) afirmou publicamente que o partido deve deixar os ministérios se for lançar candidatura própria.
Temer disse que ‘‘eticamente’’ o partido deve deixar o governo optar pela candidatura própria. ‘‘Não podemos fazer campanha contra o presidente e continuar no governo’’, afirmou.

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