A partir de hoje à tarde, com o fim do recesso, os deputados da Assembléia Legislativa do Paraná começam a enfrentar um período que certamente será mais movimentado do que no primeiro semestre. Além dos mais de 15 assuntos pendentes, o governo vai enviar à AL vários projetos polêmicos. Entre as principais propostas que serão discutidas no segundo semestre estão três projetos originários da CPI que investiga o roubo de cargas; um da comissão especial de investigação do narcotráfico; a criação da comissão permanente de ética e decoro parlamentar; e o projeto que dispõe sobre a proibição dos produtos transgênicos no Estado.
Uma das matérias que devem acirrar os ânimos, por envolver a privatização do Banestado, já foi encaminhada pelo governador Jaime Lerner (PFL) há uma semana e deve seguir hoje para análise das comissões permanentes. É a proposta de um projeto de lei que obriga o Executivo a manter no banco pelo prazo de cinco anos todas as contas do governo. A lei também assegura a oferta de parte das ações do banco pertencentes ao Estado para os empregados e aposentados das empresas que compõem o Conglomerado Banestado. O Legislativo também deve receber nessa semana o projeto que autoriza o Executivo a criar o plano de saúde para o funcionalismo.
Como as cinco CPIs em andamento devem se encerrar entre os dias 14 e 17 e só a que investiga o narcotráfico deverá ser prorrogada, a oposição vai insistir na aprovação da CPI Copel/Sercomtel (que está tramitando na Comissão de Constituição e Justiça) e na criação de uma comissão para analisar o sistema de cobrança de pedágio nas rodovias do Estado. ‘‘Faltam uma ou duas assinaturas (são necessárias 18) para pedirmos a instalação dessa CPI’’, informou o deputado Orlando Pessutti (PMDB).
Mas o presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB), salienta que os trabalhos da revisão da Constituição Estadual vão concentrar boa parte dos esforços até o fim do ano. ‘‘A revisão vai ser o nosso carro-chefe. No primeiro semestre fizemos apenas a adaptação de nossa Constituição ao texto da Federal. Agora vamos discutir com a sociedade quais as principais alterações que deverão ser realizadas’’, disse Justus.
Dos nove deputados estaduais que são candidatos (sete a prefeito e dois a vice-prefeito), apenas dois – Edgar Bueno, do PDT, e Fernando Ribas Carli, do PPB – confirmaram que vão pedir licença. Candidato a prefeito em Cascavel, Bueno será substituído por Eli Guelleri (PDT, atual vice-prefeito São Miguel do Iguaçu) e Carli, que disputa a eleição em Guarapuava, cederá a vaga para Fernando Guimarães (PPB de Curitiba).
Não devem se licenciar os deputados Tiago Amorim (PTB, candidato a prefeito em Cascavel), Beto Richa (candidato a vice-prefeito em Curitiba), Sérgio Spada (PSDB, candidato a prefeito em Foz do Iguaçu) e Geraldo Cartário (candidato a vice-prefeito em Fazenda Rio Grande). Os deputados do PT, Ângelo Vanhoni e Péricles Holleben de Mello, que disputam, respectivamente, as prefeituras de Curitiba e Ponta Grossa, estavam em São Paulo e não foram encontrados pela Folha. Assim como o deputado Nelson Tureck (PFL), que é candidato a prefeito de Campo Mourão, e Albanor Gomes, candidato do PSDB em Araucária. Gomes está de licença médica.

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