AL vazia mostra desconexão com eleitores
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quarta-feira, 29 de abril de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A condução da aprovação de alterações na ParanaPrevidência pretendida pelo governador Beto Richa (PSDB), na tarde de ontem, mantida por uma Assembleia Legislativa vazia enquanto servidores estaduais se confrontavam a Polícia Militar do lado de fora, mostra uma crise de representatividade dos parlamentares, que deixam de dialogar com seus eleitores e passam a atender apenas ao Executivo. A análise é dos professores de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Londrina (UEL), Ronaldo Baltar, e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigo Horochovski.
Para eles, entretanto, a repressão militar contra os funcionários deve ter efeitos negativos mais fortes na carreira política do governador Beto Richa (PSDB), assim como ocorreu com o atual senador Alvaro Dias (PSDB), devido ao episódio em que a cavalaria da PM atacou professores em greve, em 1988.
Os especialistas concordam que, apesar de os legisladores serem eleitos para representar seus eleitores, o mandato é independente e não dá para saber a quem exatamente representam, porque o voto é secreto. "Existe essa desconexão. Os deputados discutem o que é importante para o governador. Quando os eleitores tentam fazer contato pelas bases ou se manifestando em frente à AL, os deputados se isolam e dialogam só com o governador", analisa Baltan.
Para Horochovski, o voto dos deputados isolados na AL demonstra o medo que têm da pressão. "É um voto envergonhado." Porém, para ele, o efeito será pouco sentido pelos parlamentares, que se preocupam mais em levar recursos para seus redutos eleitorais do que em um posicionamento legislador coerente. "O parlamentar é um bronco, um intermediador de recursos entre a paróquia e o Executivo. E a sociedade já espera isso dele", avalia o professor de Gestão Pública e Ciência Política da UFPR.
Para ambos, os custos políticos da lembrança da PM enfrentando manifestantes com cães, sprays de pimenta e bombas de efeito moral será mais grave para Beto, caso queira alçar voos políticos mais altos. "Olhando para o passado e lembrando da atuação do Alvaro Dias, pode ser desastroso para o Executivo."
Ele recorda que Alvaro conseguiu se eleger senador três vezes, mas nunca mais para governador. "Ele sai na frente, mas aí as imagens começam a ser reexibidas e ele cai nas intenções de voto", assinala.
Para Baltar, a repercussão negativa para o governador não deve ficar apenas no embate da PM com manifestantes, mas também pela atual situação administrativa. "Hoje a situação do Paraná é uma marca de um governo truculento e mal administrado", analisa.


