AL tenta anular moção contra união gay
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sábado, 19 de abril de 1997
Leandro Donatti Sucursal de Curitiba 
A Assembléia Legislativa tenta corrigir o estrago e vai derrubar na próxima terça-feira a moção de repúdio do deputado e pastor Hidekazu Takayama (PFL) contra o projeto da deputada federal Marta Suplicy (PT-SP), que propõe a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Luiz Claúdio Romanelli (PMDB) vai apresentar um requerimento pedindo a anulação do documento aprovado semana passada num cochilo do plenário. A maioria dos deputados nem sabia o que estava aprovando.
Romanelli diz que é descabida, absurda e preconceituosa a moção de Takayama. A Assembléia do Paraná sempre teve posturas libertárias e não será agora que dará uma prova de retrocesso, disse ele, que confessa ter comido barriga e ajudado a aprovar o pedido de Takayama.
O requerimento deverá, ao contrário da moção de Takayma, ressaltar os pontos-chave do projeto de Marta Suplicy. O principal será a questão da estabilidade que se pretende assegurar com a união civil entre homossexuais. Ninguém está defendendo casamento com véu e grinalda, mas sim a garantia de que os parceiros, em caso de morte, tenham direitos resguardados à herança, justifica Romanelli.
A Assembléia tenta, com a anulação, abortar a necessidade de envio de cópias da moção de Takayama às entidades defensoras dos direitos humanos, que pediram para conhecer a fundo o teor do manifesto para tomar as medidas judiciais cabíveis. Romanelli diz que a aprovação do seu requerimento será tranquila. Preciso dos votos da maioria simples, explicou.
Inconformado com a decisão dos colegas, Hidekazu Takayama disse que vai insistir para que o seu documento continue tendo validade. Estou aborrecido e muito decepcionado, queixou-se o deputado. Ele disse ter conversado com o seu advogado para tentar conter a anulação. No meu entendimento, uma vez aprovada a moção, a Assembléia não pode voltar atrás, defende.
O deputado-pastor diz lamentar o recuo da Assembléia. A minha postura é a melhor para o Paraná: a maior parte da população não vai aceitar este absurdo que estão querendo fazer, voltou a defender.


