A Assembléia Legislativa tenta corrigir o ‘estrago’ e vai derrubar na próxima terça-feira a moção de repúdio do deputado e pastor Hidekazu Takayama (PFL) contra o projeto da deputada federal Marta Suplicy (PT-SP), que propõe a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Luiz Claúdio Romanelli (PMDB) vai apresentar um requerimento pedindo a anulação do documento aprovado semana passada num ‘cochilo’ do plenário. A maioria dos deputados nem sabia o que estava aprovando.
Romanelli diz que é ‘‘descabida, absurda e preconceituosa’’ a moção de Takayama. ‘‘A Assembléia do Paraná sempre teve posturas libertárias e não será agora que dará uma prova de retrocesso’’, disse ele, que confessa ter ‘‘comido barriga’’ e ajudado a aprovar o pedido de Takayama.
O requerimento deverá, ao contrário da moção de Takayma, ressaltar os pontos-chave do projeto de Marta Suplicy. O principal será a questão da estabilidade que se pretende assegurar com a união civil entre homossexuais. ‘‘Ninguém está defendendo casamento com véu e grinalda, mas sim a garantia de que os parceiros, em caso de morte, tenham direitos resguardados à herança’’, justifica Romanelli.
A Assembléia tenta, com a anulação, abortar a necessidade de envio de cópias da moção de Takayama às entidades defensoras dos direitos humanos, que pediram para conhecer a fundo o teor do manifesto para tomar as medidas judiciais cabíveis. Romanelli diz que a aprovação do seu requerimento será tranquila. ‘‘Preciso dos votos da maioria simples’’, explicou.
Inconformado com a decisão dos colegas, Hidekazu Takayama disse que vai insistir para que o seu documento continue tendo validade. ‘‘Estou aborrecido e muito decepcionado’’, queixou-se o deputado. Ele disse ter conversado com o seu advogado para tentar conter a anulação. ‘‘No meu entendimento, uma vez aprovada a moção, a Assembléia não pode voltar atrás’’, defende.
O deputado-pastor diz lamentar o recuo da Assembléia. ‘‘A minha postura é a melhor para o Paraná: a maior parte da população não vai aceitar este absurdo que estão querendo fazer’’, voltou a defender.

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