Curitiba – A sessão extraordinária da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná realizada ontem de manhã para antecipar a plenária que estava prevista para a próxima quarta-feira terminou em clima tenso. Mesmo com projetos sem relevância na ordem do dia, a apresentação de um requerimento pedindo informações ao Executivo sobre o funcionamento de um programa de casas familiares rurais foi o estopim para um bate-boca que expôs o momento complicado que o governo e parte de sua base aliada vive dentro da Casa.
O requerimento, que gerou a troca de farpas, foi encaminhado pelo deputado Rasca Rodrigues (PV). Contrariado, o líder do governo Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) solicitou que seus aliados barrassem o pedido. Foi o que bastou para Rasca protestar. "O senhor não me interrompa, não me venha chamar de leviano. Tenho um respeito grande pelo senhor!", esbravejou Rasca. "Não é possível que ele (Romanelli) use este instrumento (barrar o requerimento) para punir deputados", completou o parlamentar, afirmando que o requerimento não tinha "conotação ideológica" e que era apenas uma solicitação de informações.
Outros parlamentares da bancada "independente" aproveitaram para manifestar apoio a Rasca e criticar a postura da base aliada em sempre tentar impedir pedidos de explicações e convocações de secretários do governo. Depois das ponderações, entretanto, o deputado do PV desistiu do requerimento sem explicar o motivo.
Em outro momento polêmico da sessão, o deputado Requião Filho (PMDB) usou seu discurso para cobrar providências da Mesa Executiva contra um servidor da Casa, lotado na liderança do governo, que participou da manifestação que contou com o boneco "Pixuleko" na manhã de quarta-feira. Segundo o peemedebista, o funcionário comissionado Doático Santos estava no protesto em "horário em que deveria estar dando expediente na Assembleia". O presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), anunciou que a denúncia será investigada.
O servidor em questão aparece em fotos divulgadas nas redes sociais do deputado federal e ex-secretário de Segurança Fernando Francischini (SD), pai do deputado estadual Felipe Francischini (SD), que integra a base aliada na Assembleia. "O servidor em questão tem trabalhado normalmente na liderança da Casa. Certamente, vou indagá-lo e ele vai ter que me responder por que estava na PF naquele horário", disse Romanelli.

DESGASTE

Desde o primeiro semestre, o governador Beto Richa (PSDB) vem tendo que se esforçar para conseguir aprovar os projetos que encaminha para a AL e, nesta semana, sofreu nova derrota com a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do parecer que acatou emendas da oposição à mensagem que propõe alterações na Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar), que fiscaliza os serviços prestados pelas concessionárias de pedágio. Entre os deputados que aprovaram o parecer estão Felipe Francischini (SD), Tiago Amaral (PSB), Claudia Pereira (PSC) e Bernardo Carli Filho (PSDB), todos declaradamente aliados do governo.
"Entendo que cada um aqui é portador de um livre-arbítrio e vota naquilo que entende que é correto. Tanto paga um preço do ponto de vista da sua popularidade com a reprovação do comportamento, como também ganha aplausos por conta de sua decisão", avisou Romanelli, sobre os posicionamentos de alguns dos aliados.

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