Curitiba - Se em Brasília está difícil aprovar a liberação da venda de bebidas alcoólicas durante os jogos da Copa do Mundo de 2014 no País, na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná a situação não é muito diferente. Levantamento preliminar feito pela FOLHA ontem entre os deputados estaduais demonstra que, por enquanto, pelo menos 35 parlamentares são contrários ao álcool dentro dos estádios durante o Mundial, enquanto 17 são favoráveis. Como as discussões sobre o assunto ainda estão no início - depois da decisão de que serão os estados que decidirão sobre o tema - e não mais o Congresso Nacional, muitos desses posicionamentos podem se alterar daqui para a frente. Para o início desses debates, ontem os deputados aprovaram a realização de uma audiência pública, proposta por Marcelo Rangel (PPS), para discutir o tema.
A divergência de opinições sobre o tema é grande. Tanto que dois parlamentares já anunciaram a proposição de projetos de lei para regulamentar a questão, cada um com um ponto de vista: Stephanes Junior (PMDB) vai apresentar texto defendendo a venda e Leonaldo Paranhos (PSC) quer a continuidade da proibição, da mesma forma que a lei federal propõe atualmente para qualquer jogo de futebol. Atualmente, o Paraná não tem uma lei estadual sobre a questão, valendo por aqui a lei federal.
Todo esse embate começou porque o Palácio do Planalto decidiu, na última terça-feira, que a votação da Lei Geral da Copa no Congresso aconteceria sem um dos principais pontos de divergência, o da liberação expressa das bebidas alcoólicas, transferindo, assim, o problema para cada um dos 12 estados que receberão o Mundial. Isso porque não havia consenso nem mesmo dentro da base aliada do governo federal sobre esse ponto. Dessa forma, o texto da Lei Geral da Copa vai suspender durante os eventos da Fifa o artigo do Estatuto do Torcedor que proíbe a venda e, assim, a Fifa terá que negociar diretamente com os estados que possuem leis contrárias. O governo federal entende que dividir o problema com os governadores se justifica porque os estados também assinaram o compromisso com a Fifa.
Entre os contrários à venda está o deputado Douglas Fabrício (PPS). ''Precisamos defender a soberania do Brasil, estádio não é lugar de ficar enchendo a cara'', diz. Já Elio Rusch, vice-líder do governo na AL, ressalta que o Brasil aceitou as regras do jogo quando se candidatou como país-sede. ''O governo deveria ter falado naquela hora que não queria alterar a lei; esta é uma exigência da Fifa.''


Imagem ilustrativa da imagem AL receberá projetos opostos sobre bebidas em estádios
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