AL recebe lista implicando deputados
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Luciana Pombo Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Os deputados da oposição encaminharam ontem ao presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), cópias de uma lista com 17 páginas e de canhotos de cheques de uma conta que pertenceria ao empresário Paulo Mandelli, acusado na CPI do Narcotráfico de ser um dos principais envolvidos com o roubo, receptação e desmanche de carros roubados no Paraná, com o suposto acobertamento de policiais civis. Os canhotos, com anotações de valores variando de R$ 150 a R$ 95.800, trazem referências a nomes e sobrenomes de políticos: Política/Algaci e Alborghetti, que podem ser os deputados Algaci Túlio (PTB) e Luiz Carlos Alborghetti (PFL).
Sugerimos ao presidente para que ele peça ao Algaci que se declare impedido de continuar na presidência da CPI do Narcotráfico, justificou o líder do PMDB, Nereu Moura. Justus disse que é prematuro decidir sobre o afastamento de Algaci, mas revelou que vai repassar os documentos para que os próprios deputados integrantes da CPI avaliem o caso. Na opinião do presidente da Assembléia, a decisão deve ser restrita aos membros da comissão.
Moura informou que a bancada de oposição vai aguardar uma decisão até a próxima segunda-feira. Se ele (Algaci) não admitir que está impedido de continuar na comissão e se a mesa executiva da Assembléia não tomar nenhuma providência, os três deputados da oposição vão deixar esta CPI, adiantou Moura. Da bancada oposicionista participam da CPI do Narcotráfico os deputados Ângelo Vanhoni (vice-presidente, PT), Edson Strapasson (PMDB) e Edgar Bueno (PDT). Não abro mão da presidência da CPI, afirmou Algaci, pelo telefone, de Brasília (leia mais declarações do deputado nesta página).
As cópias dos canhotos foram divulgadas para a Folha pelo senador e presidente estadual do PMDB, Roberto Requião, na segunda-feira. O senador disse que as cópias dos documentos foram enviadas anominamente para o diretório estadual do PMDB, em Curitiba.
Nas cópias apresentadas, Algaci e Alborghetti teriam recebido de Mandelli, respectivamente, R$ 10.800 e R$ 18.500. No total, a inscrição Algaci ou Política/Algaci aparece em seis canhotos, e Alborghetti, em 25. Também há indicações de pagamentos a nomes, sobrenomes ou apelidos de outras autoridades da política e de delegados de Polícia.
Nas anotações dos canhotos surgem os nomes política, políticas ou políticas/Tijucas, pedágio, US$, marcas de carros ou caminhões MB1620, GMC, Explorer JP , Samis, Dobrandino, Dr. Recalcatti, Cope, Crovador, Dr. Renato, PMDB e Taiko. Há também uma anotação como presente Ricardo N, no valor de R$ 3.700. A inscrição pedágio, que aparece em 57 canhotos e soma um valor de R$ 195.491,50, pode se referir ao pagamento de propinas a policiais civis.
A referência Cope (em três canhotos, que somam R$ 12 mil) e Paulinho/Cope (num canhoto de R$ 500) dão a entender que se trata do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), uma delegacia especializada da Polícia Civil. O titular da conta (alguns canhotos são da agência 1282, da CEF Praça do Carmo) seria Paulo Mandelli, que está foragido desde o dia 29 de março, quando teve sua prisão temporária decretada.


