AL quer forçar desincom- patibilização
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de setembro de 1997
Leandro Donatti 
Curitiba
Arquivo FolhaReaçãoRafael Greca, de olho numa vaga no Senado: Não há motivos para preocupaçãoA Assembléia Legislativa já começou uma campanha política para forçar a desincompatibilização antecipada dos secretários de Estado que estão dispostos a concorrer as eleições do ano que vem. Ao invés de 2 abril de 98, como manda a lei eleitoral, os deputados estaduais choram para que os secretários-candidatos deixem o Palácio Iguaçu a daqui três meses, no final de dezembro.
Os parlamentares acusam os secretários do governador Jaime Lerner (PFL) de se aproveitarem da estrutura do Poder Executivo para fazerem campanha no interior. A desincompatibilização, que não é exigência para o Poder Legislativo, seria uma solução para o impasse, entende o movimento dos deputados encabeçado por Luiz Carlos Zuk (PDT) e demais lideranças.
Dos 23 secretários, pelo menos 10 alimentam esperanças para 98: Rafael Greca (Casa Civil), Rafael Dely (Habitação), Joni Varisco (Emprego e Relações do Trabalho), Armando Raggio (Saúde), Cândido Martins de Oliveira (Segurança Pública), Omar Ackel (Mineropar), Antonio Leonel Polloni (Codapar), Juraci Barbosa Sobrinho (Ipem), Hermas Brandão (Agricultura) e Nelson Justus (Indústria e Comércio).
O movimento dos deputados - que por enquanto continua no anonimato - provoca reações entre os secretários de Lerner. Rafael Greca, que sonha com a indicação para o Senado, diz que está disposto a conversar com os parlamentares sobre a questão. Ele acha que não há por que abreviar o excelente trabalho dos secretários. Não vejo motivos para tanta preocupação, assinala.
O secretário da Indústria e do Comércio, Nelson Justus, também acha descabida a desincompatibilização antecipada. Se a lei diz que temos de sair em abril, é assim que devemos proceder. No Executivo a gente pode até aparecer mais, mas a regra geral é para todos: quem não é competente não se elege, alerta.
Justus lembra que o choro da Assembléia vem de muitos anos, inclusive quando ele próprio era deputado estadual. Secretários e deputados podem disputar o mesmo espaço, desde que com ética. Eu defendo a saída dos secretários em abril, até por que em campanha não haveria condições de se tocar as pastas como se exige, ressalva.
Giovani Gionédis, secretário da Fazenda, não é candidato e, assim como os deputados, defende a desincompatibilização dos colegas candidatos já em dezembro. Deve haver um desligamento agora. Um secretário novo leva de três a quatro meses para se adaptar à função. Sair em abril criaria um problema que pode até interferir no bom andamento do governo estadual, argumenta.


