AL quer avaliar idéia de Álvaro
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Patrícia Zanin e Luciana Pombo 
O deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB) pediu ontem, na Assembléia Legislativa, a convocação do senador Álvaro Dias (PSDB) para explicar a proposta de redução de vagas nas Assembléias Legislativas, Câmaras Municipais e Câmara Federal. O pedido será oficializado, através de um requerimento, na próxima segunda-feira. O assunto é palpitante e merece a nossa atenção, afirmou.
De acordo com o deputado peemedebista, diversos vereadores do interior do Estado fizeram consulta no gabinete da liderança do PMDB, em Curitiba, para saber mais detalhes da proposta de Dias. Estão todos preocupados e o senador tem o dever de prestar todos os esclarecimentos aos parlamentares, cobrou.
Pessuti acredita que, em vez de uma diminuição de cargos, o senador poderia fazer uma proposta pedindo um reordenamento da representação dos Estados. Sabemos que existem algumas distorções, mas temos que corrigi-las nos locais adequados, argumentou.
O Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho Nacional de Leigos no Paraná apóiam a idéia de Álvaro. A proposta, prevista em três emendas à Constituição e um projeto de lei, está despertando a ira da classe política, contrária à redução. O tucano poupou o Senado, que, pelo projeto original, se manteria com três senadores por Estado. Vereadores e deputados federais questionam o fato de o Senado ter ficado de fora.
Para o presidente da seção Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Edgard Cavalcanti, o projeto do senador é pertinente. Tem que reduzir e também melhorar a imagem do legislativo porque, infelizmente, o Congresso pouco tem significado para o povo. Na opinião dele, da forma como o atual regime democrático tem se desenvolvido no País, políticos e comunidade estão caminhando em direções opostas. Com poucas exceções, frisou.
Para o presidente do Conselho Nacional de Leigos no Paraná, Marino Galvão, a proposta do senador é ímpar. Ela vem na esteira do momento de profunda reflexão sobre o País e pega a nação e as lideranças preocupadas com a moralização da coisa pública. Na opinião dele, a redução do Legislativo acarretará maior qualidade de políticos.
Galvão, que é um dos coordenadores no Estado do projeto de iniciativa popular que coleta assinaturas para propor sanções a políticos que cometerem corrupção eleitoral, disse que as atitudes inadequadas da classe política costumam ser combatidas. Mas quando se trata de algo produtivo deve-se aplaudir. Ele cobrou, porém, que o senador insira em sua proposta a redução do tamanho do Senado. Não na representatividade, mas na estrutura administrativa, reivindicou. O Conselho de Leigos representa os católicos que, segundo pesquisas divulgadas recentemente, reuniriam 75% da população paranaense, de 9,2 milhões de habitantes.
O presidente da seção Paraná da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, dom Murilo Krieger, defende, antes de qualquer alteração, um estudo detalhado para avaliar a representação política. Receio que só seja avaliada a possível economia e, concretizada a redução, pode sair mais caro se houver perda da representatividade. Ele propõe, porém, uma revisão do número de senadores. Um Estado como São Paulo não pode ter os mesmos três senadores do que o Amapá, afirmou. Dom Murilo acredita que, além dessas distorções, o Congresso poderia garantir o voto distrital na reforma política.


