DubaiO porta-voz da rede terrorista al Qaeda, de Osama bin Laden, reivindicou os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos num vídeo inédito divulgado ontem pela televisão por satélite árabe Middle East Broadcasting Center (MBC). ‘‘Conseguimos atingir a cabeça dos infiéis em seu próprio solo’’, declarou o porta-voz, Suleiman Abu Ghaith, neste vídeo ‘‘cuja gravação começou, ao que parece, em dezembro’’, segundo a MBC.
É a primeira vez que a al-Qaeda reivindica explicitamente os atentados de 11 de setembro. Responsáveis pela organização, entre eles Bin Laden, comemoraram os ataques suicidas de 11 de setembro há alguns meses, mas sem reivindicá-los abertamente.
‘‘Deus nos pediu para aterrorizar os descrentes e os aterrorizamos’’, acrescenta o porta-voz. ‘‘Executamos o que Deus nos ordenou. Deus nos ordenou apoiar os oprimidos e apoiamos os oprimidos. Deu nos ordenou combater os instigadores dos infiéis e combatemos os instigadores dos infiéis’’, continua. ‘‘Respondemos o chamado dos oprimidos na Palestina e na Chechenia, e onde quer que seja’’, destaca. ‘‘Conseguimos atingir a cabeça dos infiéis (...) que proclamam abertamente sua hostilidade em relação ao Isl㒒, repetiu o porta-voz.
Abu Ghaith, de origem kuwaitiana, havia se manifestado pela primeira vez como porta-voz da al Qaeda em 7 de outubro de 2001. Na ocasião, apareceu ao lado de Bin Laden em um vídeo transmitido pela rede de televisão al-Jazeera (Qatar), pouco depois do início dos ataques dos Estados Unidos no Afeganistão. Na semana seguinte ao início dos ataques norte-americanos no Afeganistão, Abu Ghaith apareceu três vezes em vídeos transmitidos pela al-Jazeera, pedindo em todas as ocasiões para os muçulmanos atacarem os Estados Unidos, seus cidadãos ou seus interesses. Depois dessas aparições perdeu sua nacionalidade kuwaitiana, exatamente no dia 14 de outubro de 2001.
Abu Ghaith nasceu no Kuwait em 1965. Ensinou islamismo e depois foi designado imã em uma mesquita pelo ministério de Bens Religiosos. Durante a ocupação iraquiana do Kuwait, entre agosto de 1990 e fevereiro de 1991, foi membro ativo do movimento dos Irmãos Muçulmanos. Continuou trabalhando como religioso depois da libertação do Emirado, mas logo depois foi suspenso do cargo por ter criticado publicamente o governo.
Em 1992, rompeu com os Irmãos Muçulmanos, ao que parece por causa de sua oposição à participação do movimento nas eleições legislativas.
Em 1994, Abu Ghaith passou dois meses na Bósnia, onde lutou ao lado dos milicianos islâmicos, e depois voltou ao Kuwait. Viajava muito, mas nada dava a entender que tinha vínculos com a al Qaeda.

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