A comissão de ética da Assembléia Legislativa que analisou o suposto envolvimento do deputado estadual Algaci Túlio (PTB) com o empresário Paulo Mandelli, apontado como o ‘‘rei dos desmanches’’ no Estado, aprovou ontem à tarde relatório que defende o arquivamento do caso. O parecer teve o apoio dos quatro deputados governistas e do único deputado da oposição, Ademir Bier (PMDB). O partido defende a saída de Algaci da presidência da CPI do Narcotráfico da Assembléia.
Os parlamentares entenderam que não existem provas contra o petebista. Cópias de canhotos de cheques apreendidos na casa de Mandelli, em Curitiba, foram enviados pelos deputados da oposição à comissão de ética. Nos documentos, aparece o nome de Algaci. ‘‘Você não sabe de quem são esses canhotos’’, justificou o deputado Luiz Carlos Martins (PSC), que foi o relator do processo.
Algaci Túlio não quis comentar a decisão, que teve a aprovação unânime dos cinco deputados que formaram a comissão. ‘‘Hoje não vou falar nada. Prefiro aguardar e ver o resultado. Amanhã (hoje) a gente conversa’’, declarou. O relatório será enviado hoje ao presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB). Ele é quem decide se acata o parecer de arquivamento ou pede mais diligências.
O deputado Luiz Carlos Martins disse que o relatório, de 12 páginas, só não foi enviado ontem, porque um integrante da comissão, o deputado Ademir Bier (PMDB), pediu para justificar o voto em separado.
Bier disse que optou pelo arquivamento porque a documentação que os deputados viram não sustenta elementos que possam comprometer Algaci. ‘‘Não havia uma prova concreta. Não quis entrar no mérito político. No meu entendimento, não há nada ali que possa justificar outra coisa a não ser o arquivamento’’, afirmou.
O líder da bancada do PMDB, deputado Nereu Moura, estranhou o posicionamento. ‘‘Ele (Bier) só nos disse que iria apresentar o voto em separado, não concordando com o encaminhamento’’, alegou. Moura acha que os papéis repassados à comissão eram suficientes para decretar a saída de Algaci da CPI. O deputado disse que a oposição vai se manifestar contra o teor do relatório. ‘‘Não vamos nos conformar, sem que haja transparência absoluta, sem corporativismo.’’

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