AL pede informações sobre Fundação Copel
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de maio de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Assembléia Legislativa aprovou ontem um pedido de informações sobre as irregularidades apontadas na auditoria feita pela empresa Kroll na Fundação Copel. O requerimento, endereçado ao governo do Estado e ao presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), ex-governador Paulo Pimentel, foi apresentado pelo deputado Durval Amaral (PFL), líder da bancada de oposição.
O relatório de mais de 100 páginas feito pela Kroll, uma empresa internacional especializada em consultoria e investigação contábil, aponta irregularidades na gestão da Fundação Copel no período de 27 de janeiro de 2003 a 26 de novembro de 2003 que provocaram prejuízos estimados em R$ 180 milhões para os funcionários da Copel. A Fundação Copel é o fundo de previdência dos funcionários da estatal. O relatório já foi concluído há dois meses, mas não foi divulgado.
O maior problema de ordem financeira detectado pela Kroll foi a compra, pela fundação, de ações da Universidade Luterana Brasileira (Ulbra), no valor de R$ 100 milhões; e das concessionárias de pedágio, Rodonorte e Ecovia por R$ 60 milhões. A aquisição, quando descoberta pelo governador Roberto Requião (PMDB), no final do ano passado, culminou na destituição da diretoria. A Fundação Copel ficou com o mico desses papéis. A fundação já tentou vendê-los no mercado mas não encontrou comprador.
Outra irregularidade que consta no relatório ao qual os deputados querem ter acesso diz respeito a transferências de aplicações do banco Itaú para o Banco Santos e Banco Panamericano. As transferências não foram ilegais mas quando se tratam de somas expressivas, o próprio mercado questiona o procedimento. Na transferência de R$ 300 milhões, o prejuízo financeiro só com a CPMF foi de R$ 1,2 milhão para os cofres da Fundação Copel. Na época que foi feita a operação, as transferências de aplicações financeiras ainda sofriam tributação da CPMF, que hoje estão isentas.
De acordo com o relatório, houve uma aplicação de R$ 100 milhões no Banco Santos e de R$ 80 milhões no Banco Panamericano. O máximo que se poderia aplicar em bancos de menor porte, conforme regras estabelecidas pelo Conselho de Administração da entidade, seria de R$ 20 milhões.
Cópia da auditoria da Kroll está em poder do Ministério Público (MP) federal. O procurador João Francisco Bezerra de Carvalho está encarregado de analisar o relatório. Procurado pela Folha ontem, o procurador prometeu uma análise criteriosa antes de qualquer manifestação.


