AL mantém o clima de recesso
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segunda-feira, 03 de agosto de 1998
Leandro Donatti 
Os deputados estaduais voltaram às atividades ontem, mas o clima na Assembléia ainda era de recesso. Cerca de 30 dos 54 deputados compareceram à reabertura dos trabalhos e a pauta de hoje será minguada, já que existe acordo informal entre Legislativo e Executivo de não discutirem matérias de relevância durante o processo eleitoral. Os parlamentares ainda não definiram os dias da semana em que vão trabalhar, mas já sinalizaram que a disputa eleitoral está em primeiro plano. A única certeza é que as atividades se concentrarão em apenas dois dias da semana.
Um grupo quer que as sessões plenárias se resumam às segundas e terças-feiras. Outro, que sejam às terças e quartas-feiras. Há ainda uma terceira facção que prefere que o esforço concentrado ocorra nas quartas e quintas-feiras pela manhã. O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), ainda não definiu o cronograma, mas avisou que não tem em vista matérias polêmicas. O secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, confirmou que o governo só vai enviar para a apreciação suplementações orçamentárias e questões pacíficas entre oposição e situação.
A desistência de Eduardo Trevisan e Edson Silva Lino concorrerem à reeleição (leia mais nesta página) serviu de auto-análise no primeiro dia de trabalho depois do recesso. Além de um acréscimo de 40% no número de candidatos - detectado com a divulgação da lista de concorrentes pela Justiça Eleitoral -, os deputados reclamaram da falta de dinheiro para a campanha pela reeleição, estimada em cerca de R$ 300 mil per capta. Não aguento mais as pessoas me pedindo dinheiro. O povo não quer mais santinho. Quer gravata, paletó e assim por diante, reclamou Luiz Carlos Alborghetti (PTB).
O líder do PMDB, Orlando Pessuti, circulava no plenário ontem com uma relação padrão com exigências que seriam mínimas para a obtenção de mil votos num município. Um carro com som, dez moças para distribuir santinhos, dois comícios, bolas de futebol, jogos de camisas, combustível e R$ 5 mil em dinheiro foi a fórmula apresentada ao deputado para ajudá-lo na reeleição. Pessuti representa 40 municípios e disse que não terá condições de atender todo mundo. Farei o que puder, conformou-se. (L.D)


