AL libera cerveja nos estádios e 'fatia' de ajuste fiscal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Em sessão tumultuada, marcada pela manifestação de membros de diversas denominações religiosas, a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná confirmou ontem a autorização da venda e do consumo de cerveja e chope nos estádios. O projeto 50/2017, de autoria de 11 parlamentares, depende agora da sanção do governador (PSDB) para virar lei. No segundo turno, quando foram apreciadas as emendas, ele recebeu 24 votos favoráveis e 20 contrários, a maioria de membros da bancada evangélica.
Na mesma plenária, os deputados deram aval à fatia mais polêmica do novo ajuste fiscal de Beto. A matéria 370/2017 institui a diária especial por atividade extrajornada para policial militar, bombeiro, educador social e agente penitenciário, além de alterar o pagamento de gratificações a servidores. Também suspende por três anos a realização de concursos públicos para soldados. O texto recebeu 29 votos favoráveis e 14 contrários, no primeiro turno. "O governador vem há quatro anos raspando o fundo do tacho e elegeu os servidores para serem os principais prejudicados", criticou o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT).
No caso da cerveja, a AL aprovou um substitutivo, assinado por (SD). O parlamentar aceitou duas alterações, uma de Requião Filho (PMDB), exigindo que a comercialização ocorra somente em pontos fixos, definidos pelo administrador das arenas ou praças desportivas, e outra de Evandro Jr. (PSDB), segundo a qual 20% do total de cervejas vendidas deverá ser de origem artesanal, produzidas por pequenas empresas paranaenses. Para o diretor de marketing da Procerva (Associação das Microcervejarias do Paraná), Anuar Tarabai, a proposta vai permitir que o torcedor conheça "a verdadeira cerveja". "Somos em 51 produtores hoje. O Paraná tem, de 2007 para cá, mais de 210 prêmios nacionais e internacionais de cerveja artesanal", destacou.
"Peço a Deus, porque nessa tarde é só ele que pode fazer o resultado ser diferente. Faz diferença você saber que vai perder com a consciência tranquila. Aqueles que são favoráveis, de certa forma, estarão contribuindo para o aumento de casos de violência nos estádios", afirmou Márcio Pacheco (PPL), já antecipando o resultado da votação. "Defendo o princípio da liberdade. O Estado não pode proibir, mas garantir a liberdade de escolha, se a pessoa deve ou não consumir", rebateu Francischini. "O interesse é justamente do torcedor que, pacificamente, acompanha seu time e o esporte como um todo", completou Romanelli (PSB), líder da situação na Casa e um dos autores da matéria.
De acordo com o político do PSB, deverão ser colocadas mensagens de alerta nos lugares onde ocorrerá a venda, relativas aos efeitos da ingestão de álcool no organismo. A comercialização só poderá ser realizada em copos plásticos, descartáveis, admitindo-se o uso de copos promocionais de papel. A autorização também não é válida para menores de 18 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já estabelece pena de dois a quatro anos de detenção, além de multa, para quem desrespeita esse disposto na legislação.
O projeto prevê ainda que o torcedor que promover desordens estará sujeito à impossibilidade de ingresso ou afastamento do local, conforme está previsto no Estatuto do Torcedor. Além de Romanelli, assinam a mensagem os deputados: Alexandre Curi (PSB), Stephanes Junior (PSB), Ademir Bier (PMDB), Pedro Lupion (DEM), Marcio Pauliki (PDT), Tiago Amaral (PSB), Fernando Scanavaca (PDT), Marcio Nunes (PSD), Nelson Justus (DEM) e Anibelli Neto (PMDB).


