Um dia depois de aprovado na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná o reajuste dos servidores do Executivo estadual estipulado em 3,75% neste ano, a ser concedido de forma parcelado, a Casa instituiu oficialmente um sistema de plano de progressão de carreiras por tempo de serviço. A medida, que terá impacto direto nos vencimentos da maioria do quadro funcional, trará aumento de mais de R$ 805 mil por mês na folha de pagamento.
A chamada Progressão Por Antiguidade concede adicionais de salários correspondente ao tempo de serviço dos 386 efetivos dentro do Legislativo. Segundo a assessoria da AL, 60% dos 166 analistas legislativos pularão direto para a última classe da carreira e, dentro desse percentual, 40% ficarão no último nível da classe. Dos 127 técnicos legislativos, 99 passarão para a última classe e todos os 93 auxiliares legislativos irão para o extremo da promoção.
Ainda de acordo com a assessoria da Casa, a implementação de um plano de carreira é um pedido dos servidores dos últimos 30 anos, mas que sempre foi relegada pelos deputados. Normalmente, os parlamentares preferiam lotar a AL de funcionários comissionados. Sem a Progressão por Antiguidade, um funcionário recém-admitido por concurso teria direito ao mesmo salário de quem está próximo da aposentadoria.
Desde o ano passado, a AL instituiu um grupo de trabalho para estudar e implementar planos de progressão por tempo de serviço e por conhecimento, que o servidor passa a ter direito mediante cursos de aperfeiçoamento e capacitação profissional. Este segundo método de avanço de carreira ainda está em estudo, mas é uma promessa da Mesa Executiva seu implemento.
O presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), se esforça para justificar que a Progressão por Antiguidade não significa aumento salarial ou concessão de vantagem aos servidores, mas a "correção de uma injustiça" que se arrastava por anos. De acordo com ele, a implantação concede aos funcionários "algo de direito que eles esperavam, mas ninguém se prontificou a fazer antes".
Ele também nega que o momento seja inadequado, mesmo diante da coincidência com a aprovação do reajuste dos servidores do Executivo. O percentual ficou bem abaixo do pleiteado pela categoria e motivou greves prolongadas, lideradas principalmente por professores da rede estadual e por servidores e docentes de universidades. "Os professores, durante todo esse tempo, tiveram direito a receber progressões e promoções que não existiam aqui. Se for interpretar como vantagem (aos funcionários da AL), não importa se fosse apresentado daqui 15 dias, um mês, teria a mesma leitura", diz o tucano.

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