AL deve votar proibição do amianto no Paraná
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segunda-feira, 20 de junho de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba Os deputados estaduais aprovaram ontem, por 28 votos a 13, um requerimento solicitando que o projeto de lei 655/2015, que proíbe o uso do amianto no Paraná, tramite em regime de urgência na Assembleia Legislativa (AL). Com isso, as comissões temáticas da Casa terão até 48 horas cada para analisar a mensagem, de autoria de Gilberto Ribeiro (PRB) e pastor Edson Praczyk (PRB). A votação foi acompanhada por aproximadamente 30 sindicalistas, representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e trabalhadores do setor, que alegam que a fibra possui alto poder cancerígeno.
"Só Santa Catarina e o Paraná que ainda não baniram", afirmou o presidente da Força Sindical no Estado, Sérgio Butka. Ele citou dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo os quais mais de 107 mil pessoas morrem por ano de câncer de pulmão, asbestose e outras doenças contraídas por exposição ao produto. Butka informou que hoje três companhias paranaenses, que empregam entre três mil e cinco mil funcionários, usam a fibra.
Herbert Fruehauf, 57 anos, contou que foi aposentado por invalidez, devido à exposição. "Meu pulmão direito está contaminado por placas pleurais. Sinto falta de ar e uma fadiga muito grande. Tem aquele sintoma de que está se afogando, apneia e dor", relatou. Fruehauf descobriu a doença em 2004, cinco anos após ser demitido da indústria onde atuou de 1995 a 1999. "Eu trabalhava na manutenção mecânica industrial e veicular, com telhas, e inalei o amianto. A gente se sente inválido. Fiquei inapto para o mercado de trabalho e hoje vivo do que recebo do INSS."
De acordo com a procuradora Margaret Matos de Carvalho, do MPT, 66 países já baniram a substância. "No Brasil ainda estamos patinando na insistência de que a substituição por fibras alternativas provocaria perda de postos de trabalho, como se fosse mais importante manter a empresa funcionando do que proteger a saúde de todos que sejam expostos."
DIVERGÊNCIAS
Conforme o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), desde 2007, ao menos três iniciativas semelhantes passaram pela AL, mas foram descartadas. Desta vez, ele estima que a proposição seja levada ao plenário em 30 dias. "O banimento é uma questão de saúde pública, porque há outros produtos que podem ser utilizados", disse. Segundo o parlamentar, o lobby das empresas é natural. "Os empregos continuarão mantidos, na medida em que se estabeleça um prazo de adequação das linhas de produção."
Contrário à proibição, Stephanes Jr. (PSB) argumentou que o amianto entra numa indústria fechado e o produto sai pronto. "Há 50 anos, o pó dele era cancerígeno. Já hoje não faz sentido você acabar com mais de três mil empregos diretos, impostos que são pagos, indústrias que estão aqui há muito tempo. O produto não gera nenhum tipo de problema de saúde."


