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Londrina

ELEIÇÕES

m de leitura Atualizado em 21/01/2022, 16:27

AL deve ter menor renovação nas eleições de 2022

Cientista político avalia que eleição deste ano deve ter refluxo da onda renovadora de 2018, quando 40% da Casa teve novos deputados

PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de janeiro de 2022

Francielly Azevedo - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

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Ainda faltam meses para as eleições deste ano, marcadas para 2 de outubro, mas, nos bastidores, a movimentação política já começou. Na Assembleia Legislativa do Paraná (AL) muito se fala da chamada renovação de cadeiras, que foi expressiva no pleito de 2018, com quase 40% de novos parlamentares eleitos. Porém, em 2022 a expectativa é que as modificações não sejam tão significativas. 

Imagem ilustrativa da imagem AL deve ter menor renovação nas eleições de 2022 Imagem ilustrativa da imagem AL deve ter menor renovação nas eleições de 2022
|  Foto: Dálie Felberg /Alep
  

Para o cientista político Emerson Cervi, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a eleição de 2022 deve ter uma renovação mais comedida que a observada em 2018.  

“Se formos seguir o histórico, se formos seguir a tradição, a eleição de 2022 tenderá a ser uma eleição de refluxo no que diz respeito às renovações. A eleição de 2018 é a que a gente chama de eleição desalinhadora. É aquela eleição em que o eleitor não quer mais votar nos nomes já conhecidos, ele prefere outros nomes. E isso tem como consequência a renovação”, explica.  

O especialista também diz que o resultado apresentado pelos “novatos” nem sempre agrada ao eleitor. “Historicamente, o resultado da eleição desalinhadora não é o resultado esperado pelo eleitor. Há sempre um déficit em relação à expectativa, o que faz com que o eleitor volte na eleição seguinte a optar pelos nomes tradicionais, pelos nomes já conhecidos, que tinham vantagem e perderam momentaneamente na eleição anterior”, afirma. 

REDES SOCIAIS  

Deputado estadual exercendo o quinto mandato, Luiz Claudio Romanelli (PSB) diz acreditar que a internet influenciou bastante no último pleito. “Na última eleição nós tivemos um fato novo que foi na primeira vez de forma rigorosa o advento das redes sociais, incluindo o WhatsApp, que teve um papel importante na questão de formação de opinião. É comum você ter uma ou outra exceção, mas na última eleição nós tivemos muitos parlamentares que foram eleitos nisso”, disse à FOLHA.  

O deputado Goura Nataraj (PDT) foi uma das novidades na lista de parlamentares eleitos para o Legislativo em 2018. Ele avalia que o eleitor está cada vez mais dando espaço para pessoas que fortalecem o novo jeito de fazer política. “É um desafio de vencer preconceitos da política formal. Mas eu acho que existe um movimento ao qual eu faço parte que é o movimento de trazer uma oxigenação para a política. De pessoas que vêm de movimentos sociais, de lutas sociais, e a gente vê isso no Brasil inteiro”, considera.  

Goura também avalia que a falta de renovação nas casas legislativas prejudica o andamento da política. “Você tem uma mudança geracional, no sentido de que têm pessoas que estão há sete ou oito mandatos. Isso eu considero nocivo para a democracia, nocivo para a política. Temos que ter meios e métodos de passar o bastão, ter jovens na política”, ressalta.  

CONCENTRAÇÃO DE VOTOS 

Em 2018, o candidato Fernando Francischini (PSL) – cassado mais tarde – conquistou a maior votação da história do Paraná, com 427.742 votos e ajudou a carregar mais sete deputados do seu partido para a AL. O cientista político ouvido pela FOLHA não acredita que teremos um único candidato que faça uma votação tão expressiva em 2022.  

“Se a gente seguir a tradição das eleições realinhadoras não deveremos ter tanta concentração de votos assim em algum candidato. Mas sempre tem alguém que vai fazer os seus 200 mil votos. Não raras vezes, esse nome é da política tradicional e não o candidato da nova política”, cita Emerson Cervi.  

Para o deputado Romanelli, a eleição de 2022 voltará a ser pautada pelo debate, já que o que ele chama de “personagem de internet” não sobrevive ao mandato.  

“Se não houver nenhuma bolha na internet, certamente teremos uma Assembleia Legislativa com personagens reais. Eu penso que nessa eleição voltaremos a ter o processo político baseado no debate. Minha expectativa é que os partidos políticos estão fazendo, com base nessas regras novas, a escolha de candidatos que têm de fato visão sistêmica da sociedade. Nós teremos poucos candidatos que não se enquadram e que farão esse personagem da internet”, destaca. 

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