AL deve propor moção de protesto à peça Pornô Gospel
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de junho de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba A Assembleia Legislativa (AL) do Paraná deixou para a próxima segunda-feira a votação de uma moção de protesto à peça "Pornô Gospel", em cartaz no Miniauditório do Teatro Guaíra, na capital, de 19 de maio a 5 de junho. A sinopse do espetáculo, que satiriza as relações sociopolíticas da atualidade, gerou desconforto entre membros da bancada evangélica da Casa. Uma das personagens, Nara Lira, é cantora, assim como a deputada estadual Mara Lima (PSDB), autora do requerimento.
O assunto começou a ser debatido na sessão de ontem, no entanto, como houve divergências, os parlamentares preferiram fazer alterações no texto. A ideia é apresentar ainda um pedido de informações à Secretaria de Estado da Cultura, para saber se houve incentivo público à produção. "A princípio, sou contra moções de repúdio de qualquer natureza. Mas, pelo que eu ouvi, ela (peça) veicula de forma grotesca um ataque a uma parlamentar aqui da Assembleia, o que a mim parece um despropósito", afirmou o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PSB).
Para o oposicionista Tadeu Veneri (PT), contudo, o que a AL faz, ao votar a moção, é um marketing gratuito ao espetáculo. "Acho muito ruim quando se quer proibir. A autocensura é o pior tipo de censura. Se fosse patrocinado e passasse em escolas públicas ou locais fechados, por exemplo, seria uma coisa. Desse jeito vai quem quer, pagando ingresso", opinou. Nenhum dos deputados disse ter assistido à produção.
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) já aprovou um requerimento semelhante. De acordo com o propositor, o vereador Tiago Gevert (PSC), trata-se de uma "alusão intolerante ao gênero musical cristão". No enredo, Lira é também dona de uma rede de lojas de produtos do Senhor, que conta com livros, CDs e camisetas. Ela decide lançar no mercado uma linha erótica, feita especialmente para crentes. Os ingressos para o espetáculo custam entre R$ 15 e R$ 30. A classificação indicativa é a partir de 16 anos.


