AL demite funcionário que contratou fantasma
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O suplente de deputado estadual Felipe Lucas (PPS) saiu ileso das denúncias de contratação de uma funcionária fantasma em seu gabinete enquanto ocupava o lugar da deputada Arlete Caramês (PPS), que se ausentou por quatro meses no ano passado por motivos de saúde. O funcionário de carreira da Assembléia acusado de contratar a funcionária fantasma, Metódio Stoski, declarou à Comissão de Sindicância instalada pela Assembléia para investigar o caso que fez toda a operação sozinho, sem o conhecimento de Lucas. A Comissão determinou que Stoski devolva todo o dinheiro à Casa, cerca de R$ 12 mil, e sua demissão imediata. O caso de funcionários fantasmas no gabinte do ex-deputado Luiz Carlos Zuk (PDT), na legislatura passada, ainda está sendo investigado pela Comissão.
''O funcionário assumiu toda a culpa. E já entramos com uma medida cautelar na Justiça pedindo a demissão dele. O dinheiro deve ser devolvido por Stoski ao erário o mais rápido possível'', afirmou o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB). Porém, uma gravação transmitida por uma emissora de televisão mostra Lucas e Stoski conversando com a funcionária fantasma sobre a denúncia. Na gravação Lucas propõe um acordo a ela e Stoski afirma que o dinheiro iria para campanha eleitoral. O dinheiro desviado faz parte da verba de R$ 25 mil que a Assebléia repassa aos gabinetes para contratação de pessoal.
Hermas explicou que o primeiro valor do salário divulgado que estava sendo pago em nome da funcionária fantasma, Elizângela Mendes Pechinsky, está errado. Na ocasião se falou em cerca de R$ 41,8 mil, já que de acordo com o INSS ela teve o benefício pago por um ano com um salário de R$ 4 mil por seis meses quase R$ 3 mil nos outros seis meses. Porém, a Comissão apurou que ela recebeu salário efetivamente por quatro meses (durante a legislatura de Lucas) e que o setor de recuros humanos da Assembléia, por equívoco, não excluiu Elizângela da lista de pagamentos à Previdência. ''Mas é só apresentarmos os documentos à previdência que teremos o ressarcimento deste dinheiro pago por engano'', explicou Hermas.
Depois da denúncia, Hermas afirmou que foi realizado um cruzamento de dados entre os 608 funcionários próprios da Casa e cerca de 20 deles não receberam salário este mês porque foi constatado que não trabalham com dedicação exclusiva à Assembléia como deveriam. Isso, segundo Hermas, gerou uma econômia de R$ 59 mil. Estes funcionários foram chamados para prestar contas. Como forma de coibir mais casos como estes, Hermas afirmou que a Assembléia já está fazendo licitação para instalar o cartão-ponto e foi proibido que funcionários recebam salários por meio de contas bancárias de terceiros.
Elizângela fez a denúncia do caso e alega que foi usada como laranja por Stoski. O dinheiro, segundo ela, estava sendo depositado na conta bancária de sua irmã, esposa de Stoski. Elizângela contou que só descobriu que foi funcionária da Assembléia quando deixou sua profissão de empregada doméstica e procurou o INSS para pegar um levantamento de seus últimos empregos, documentação necessária para ingressar na vaga de auxiliar de enfermagem em um hospital.


