Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar a possibilidade de envolvimento do governo do Estado no esquema de escuta telefônica ilegal dentro e fora do Palácio Iguaçu pode ficar para depois do período eleitoral. Além de criar uma nova CPI, desta vez proposta pelo PMDB com objetivo de apurar denúncias de grampos no poder público nos últimos 12 anos, os deputados decidiram suspender as sessões plenárias. A próxima será realizada apenas no dia 2 de outubro, após as eleições.
O presidente da Assembléia Legislativa, Pedro Ivo Ilkiv (PT), negou que a suspensão seja uma estratégia para esvaziar a chamada CPI dos Grampos. ''Não temos quórum para votar nada. Seria uma hipocrisia continuarmos com as sessões em período eleitoral'', justificou. De qualquer forma, o regimento interno da Assembléia Legislativa dá cinco dias para que sejam publicadas as CPIs requeridas.
Pedro Ivo disse que não há projetos de grande importância para serem votados. Ele garantiu que as sessões serão repostas depois, por meio de extraordinárias, sem custo. ''O regimento da Casa aboliu o pagamento das sessões extraordinárias'', comentou.
Nereu Moura, líder da bancada do PMDB na Assembléia Legislativa, apresentou o requerimento de CPI para averiguar denúncias sobre a existência de grampos telefônicos no Poder Público Estadual nos últimos 12 anos.
A CPI dos Grampos foi proposta pela bancada de oposição ao governo Roberto Requião (PMDB) e tem o objetivo de identificar o mandante dos grampos feitos pelo policial civil Délcio Augusto Rasera -que foi cedido pela Polícia Civil para trabalhar na Casa Civil. Rasera foi preso na semana passada pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC) e foi apontado como o líder do esquema de grampos. Ao lado dele também foi presa Dorothi Matheus dos Santos - que tinha um cargo na Biblioteca Pública do Paraná.
''São dois funcionários do governo do Estado. Um deles (Délcio Rasera) de confiança do governador Roberto Requião, que pessoalmente o absolveu dos inquéritos que respondia na Corregedoria da Polícia Civil. Ele (Rasera) foi quem grampeou o ex-presidente da Banestado Leasing e forneceu denúncias ao então senador Requião'', disparou o deputado estadual José Domingos Scarpellini (PSB).
Nereu negou ontem que queria desviar o foco da CPI dos Grampos - que analisaria o fato pontual do envolvimento de Rasera com o Palácio Iguaçu. ''O que queremos é uma investigação total dos fatos e não uma investigação dirigida por questões eleitorais. Queremos investigar todos nos últimos 12 anos numa CPI verdadeira. Não numa CPI meia boca'', defendeu.
Nereu disse que a CPI resgataria todas as denúncias enterradas na CPI da Telefonia em 2001 - que acabou sendo arquivada por decisão judicial a pedido da empresa Brasil Telecom. Na época, o cabo Jordão (que foi preso por motivo semelhante a Rasera) denunciou um esquema de escuta telefônica ilegal dentro do Palácio Iguaçu com o aval do então secretário Gerson Guelmann.

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