Arquivo FolhaCaixa de marimbondoHidekazu Takayama (PFL), ao centro, apela à moral e aos bons costumes: ‘‘Homossexualismo é uma anomalia’’Num ‘cochilo’ durante a sessão de segunda-feira, os deputados aprovaram uma moção de repúdio ao projeto de lei da deputada federal Marta Suplicy (PT), que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo. O documento é de Hidekazu Takayama (PFL), que acumula a atividade de legislador com a de pastor evangélico da Igreja Assembléia de Deus. Ele apela à ‘‘moral’’ e aos ‘‘bons costumes’’ para a rejeição da medida que tramita no Congresso.
‘‘O homossexualismo é uma anomalia e eu fui eleito por um segmento que me cobra uma postura com relação a isso diariamente’’, justifica o deputado, emendando que ‘‘a aprovação da proposta pode abrir uma brecha legal com danos irreparáveis’’.
‘‘A casa de leis, constituída pelo povo brasileiro, não pode descer a este nível tão baixo e aprovar esta imoralidade que, por si só, é inconstitucional e choca-se com a Constituição Maior, contida nas Sagradas Escrituras, que condena tais atos, oriundos de espíritos imundos e das profundezas das trevas’’, diz a moção do deputado.
A aprovação da proposta de Takayma causou mal-estar generalizado ontem entre os deputados. A bancada do PT - que também entrou no cochilo -, foi a única a fazer o seu ‘mea culpa’ e tentar reverter o episódio. Florisvaldo ‘‘Rosinha’’ Fier (PT) usou a tribuna e pediu para que Luiz Carlos Zuk (PDT), que presidia a sessão ontem, registrasse a posição da bancada, que é favorável ao projeto da deputada federal.
‘‘Foi uma manifestação de desconhecimento e de preconceito do deputado Takayma’’, atacou Rosinha. Segundo ele, a intenção da proposta de Marta Suplicy é garantir, através da união civil, o direito de cidadania dos homossexuais. ‘‘É uma atitude corajosa que visa quebrar tabus e preconceitos’’, comentou.
O líder do governo, Valdir Rossoni (PDT), alega que a moção passou ‘‘batida’’ em plenário e que os deputados não tiveram consciência do que tinham aprovado. ‘‘Eu estava preocupado com o encaminhamento de questões do governo e não me atentei para o conteúdo dela’’, tentou justificar.
Takayma diz na moção que não é ‘‘absolutamente contra a afinidade entre pessoas do mesmo sexo’’. ‘‘Muito pelo contrário, somos totalmente favoráveis ao bom relacionamento entre dois seres, desde que alicerçados no verdadadeiro amor cristão’’, ressalva o deputado, que cita o capítulo 13 da Bíblia onde o apóstolo São Paulo diz que ‘‘o amor não busca seus próprios interesses e também não se porta com indecência ou imoralidade’’.
A Folha tentou contactar por telefone com a deputada Marta Suplicy, ontem em Brasília, para saber a opinião dela sobre a aprovação da moção. A sua assessoria informou que a deputada está em Londres, participando de um seminário.

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