AL condena união de homossexuais
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terça-feira, 15 de abril de 1997
Leandro Donatti Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaCaixa de marimbondoHidekazu Takayama (PFL), ao centro, apela à moral e aos bons costumes: Homossexualismo é uma anomaliaNum cochilo durante a sessão de segunda-feira, os deputados aprovaram uma moção de repúdio ao projeto de lei da deputada federal Marta Suplicy (PT), que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo. O documento é de Hidekazu Takayama (PFL), que acumula a atividade de legislador com a de pastor evangélico da Igreja Assembléia de Deus. Ele apela à moral e aos bons costumes para a rejeição da medida que tramita no Congresso.
O homossexualismo é uma anomalia e eu fui eleito por um segmento que me cobra uma postura com relação a isso diariamente, justifica o deputado, emendando que a aprovação da proposta pode abrir uma brecha legal com danos irreparáveis.
A casa de leis, constituída pelo povo brasileiro, não pode descer a este nível tão baixo e aprovar esta imoralidade que, por si só, é inconstitucional e choca-se com a Constituição Maior, contida nas Sagradas Escrituras, que condena tais atos, oriundos de espíritos imundos e das profundezas das trevas, diz a moção do deputado.
A aprovação da proposta de Takayma causou mal-estar generalizado ontem entre os deputados. A bancada do PT - que também entrou no cochilo -, foi a única a fazer o seu mea culpa e tentar reverter o episódio. Florisvaldo Rosinha Fier (PT) usou a tribuna e pediu para que Luiz Carlos Zuk (PDT), que presidia a sessão ontem, registrasse a posição da bancada, que é favorável ao projeto da deputada federal.
Foi uma manifestação de desconhecimento e de preconceito do deputado Takayma, atacou Rosinha. Segundo ele, a intenção da proposta de Marta Suplicy é garantir, através da união civil, o direito de cidadania dos homossexuais. É uma atitude corajosa que visa quebrar tabus e preconceitos, comentou.
O líder do governo, Valdir Rossoni (PDT), alega que a moção passou batida em plenário e que os deputados não tiveram consciência do que tinham aprovado. Eu estava preocupado com o encaminhamento de questões do governo e não me atentei para o conteúdo dela, tentou justificar.
Takayma diz na moção que não é absolutamente contra a afinidade entre pessoas do mesmo sexo. Muito pelo contrário, somos totalmente favoráveis ao bom relacionamento entre dois seres, desde que alicerçados no verdadadeiro amor cristão, ressalva o deputado, que cita o capítulo 13 da Bíblia onde o apóstolo São Paulo diz que o amor não busca seus próprios interesses e também não se porta com indecência ou imoralidade.
A Folha tentou contactar por telefone com a deputada Marta Suplicy, ontem em Brasília, para saber a opinião dela sobre a aprovação da moção. A sua assessoria informou que a deputada está em Londres, participando de um seminário.


