Curitiba - O contracheque dos servidores da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná não foi divulgado na internet, ontem, conforme o prometido pelo presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB). Ele atribuiu o atraso ao "momento atípico vivido pela Casa, após uma eleição que foi traumática", referindo-se ao embate entre Fábio Camargo (PTB) e Plauto Miró (DEM) por uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas (TC) do Estado. "Há um mau humor por parte de alguns deputados, mas a divulgação vai ocorrer até o final do mês", disse Rossoni à imprensa.
Nos bastidores, comenta-se que a administração da AL espera a exoneração dos ex-funcionários de Camargo e a posse do suplente Antonio Carlos Belinati (PP). Esse prazo permitiria aos demais deputados organizarem os seus gabinetes, onde cabos eleitorais com trabalho semelhante (ex-prefeitos, ex-vereadores) ganham valores díspares. Como as quantias são mantidas em sigilo, não há desentendimento nas respectivas bases eleitorais. A divulgação nominal, portanto, geraria uma "desagradável" turbulência política na véspera de um ano eleitoral.
Rossoni foi pressionado a não expor os salários dos gabinetes, para evitar esse "desconforto". Nos últimos meses, rechaçou e concordou com essa ideia várias vezes, sem decidir qual modelo a AL irá seguir. Ontem, a principal página que dava acesso à lista de funcionários esteve fora do ar ("novo modelo em construção", "em breve, divulgação completa", dizia o link).
Para contornar a resistência, é preciso que a Comissão Executiva esteja unida, disse o presidente da AL para a imprensa. Só que nos últimos dias, ele e o "prefeito" da AL, Plauto Miró (1º secretário) não têm se falado. "(A eleição para o TC) foi traumática para a Casa, mas isso vai ser superado. Conheço o Plauto há muitos anos, ele é uma pessoa pacífica e tranquila. Ele é meu parceiro e colaborou muito para as mudanças que ocorreram na Casa", declarou Rossoni.

Briga por espaço
Plauto insinua em suas conversas com a imprensa que se sentiu traído por Rossoni, Ademar Traiano (PSDB) e Nelson Justus (DEM), com quem contava para vencer a disputa (uma diferença de três votos deu a vitória para Fábio Camargo). A ida dele para o TC era uma promessa do grupo político que dá apoio ao governador, e contemplaria demandas do DEM por mais espaço na gestão Beto Richa (PSDB). A tensão entre os dois ainda aumentou, ontem, por conta da "dança dos gabinetes".
Evandro Júnior (PSDB) pegou com Camargo as chaves do ex-gabinete do político e fez sua mudança na tarde de terça. O problema é que a sala de Camargo já tinha sido prometida para Mara Lima (PSDB), que antes ocupava uma sala improvisada (dois andares estão em reforma). À noite, Rossoni autorizou que os objetos do político fossem retirados de lá e devolvidos para sua antiga sala. Mara Lima ocupava um gabinete improvisado no antigo refeitório. Com a medida, Rossoni desautorizou Plauto, cujo aval tinha sido dado a Evandro.
Rossoni disse que Evandro "invadiu" a sala. Plauto disse que a mudança forçada foi "truculência" do presidente da AL. Após "lavarem a roupa suja" em plenário, os dois marcaram uma reunião para rediscutir a situação. Foi feito um sorteio e a sala de Fábio Camargo ficou com a deputada Mara Lima.

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