AL aprova voto de repúdio a Requião
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Folha de LondrinaAo ataqueDeputados no momento da votação: críticas ao fuhrer de provínciaA Assembléia Legislativa do Paraná aprovou ontem voto de repúdio ao senador Roberto Requião, pelo seu pronunciamento contra o governador Jaime Lerner (PFL) durante o programa do PMDB que foi ao ar na noite da última segunda-feira em cadeia estadual de rádio e de tevê. Vinte e sete deputados aliados de Lerner conseguiram formalizar o documento que acusa Requião de injusto, leviano, de surgir nos meios políticos do rescaldo da ditadura e de distorcer a finalidade do espaço reservado à difusão de doutrinas de partido político para emitir juízos e condenações a quem não se alinhar aos seus métodos de fuhrer de província.
Luiz Claudio Romanelli, Orlando Pessuti, Nereu Moura, do PMDB, e Emerson Nerone, do PSN, foram os únicos parlamentares a votarem contra o manifesto de repúdio. Toti Colaço (PMDB), Ângelo Vanhoni (PT) e Florisvaldo Rosinha Fier (PT) abstiveram-se. Vinte deputados faltaram à sessão. Além de ataques ao senador, o documento manifesta solidariedade aos proprietários da TV Iguaçu, ex-governador Paulo Pimentel, e da TV Paranaense, Francisco da Cunha Pereira, criticados por Requião, que se diz vítima de um esquema que tenta isolá-lo na mídia.
O manifesto diz que as considerações feitas por Requião acerca da saúde financeira do Banestado são mais uma repetição do discurso paroquial que usa suas diatribes (discursos violentos e injuriosos) para expor pessoas, empresas públicas e afetar o crédito de instituições financeiras. É o mesmo governador que no passado liderou invasões urbanas em Curitiba, depois as tolerou e agora se alia, oportunisticamente, a movimentos ligados à terra - o messias do cálculo e da demagogia, emenda.
Os deputados que avalizaram o voto de repúdio afirmam ainda que o senador é o responsável pelo bloqueio dos US$ 500 milhões em empréstimos externos do Paraná no Senado. Ele (Requião) não tem autoridade política ou moral para questionar quem quer que seja. No desespero de enfrentar o julgamento do povo, imagina possível desviar a atenção das pessoas de bem, pretendendo antecipar um clima de disputa eleitoral para distrair a nulidade de sua atuação e a insignificância de sua figura de filhote extemporâneo da ditadura, completa o manifesto.
As discussões em torno do documento tomaram a tarde de ontem da Assembléia. Deputados do PT e do PMDB tentaram a todo custo dissociar o manifesto contra Requião da solidariedade aos donos de tevê, com medo de represália das emissoras. São assuntos distintos, que não podem ser misturados. Acusar Requião de ser filhote da ditadura é um absurdo. Não foi ele quem foi nomeado prefeito biônico durante o período da repressão, avalia o deputado Florisvaldo Fier. Acho que o ex-governador tinha o direito de criticar, no entanto, afirmar que o banco está quebrado gera instabilidade financeira, observa Ângelo Vanhoni.
Luiz Claudio Romanelli diz que o governo tenta transformar o manifesto contra Requião num fato político. É um pretexto para tirar da atenção dos eleitores as graves denúncias feitas por Requião contra esse governo, afirma. O deputado diz que o governo fecha os olhos diante da crise financeira que vive. Estão querendo fugir da realidade, acusa.
A Folha tentou ouvir o senador Roberto Requião em Brasília, mas não foi possível o contato. A assessoria do senador em Curitiba disse que Requião não queria manifestar-se sobre o voto de repúdio aprovado pela Assembléia. Segundo o assessor, o senador não concorda com as acusações feitas pelos deputados aliados de Lerner e que não aceita críticas de setores que sustentaram a ditadura militar no Brasil.


