AL aprova requerimento pedindo demissão de Ingo
A Assembléia Legislativa aprovou ontem, por 23 votos contra 21, o requerimento dos deputados que querem o afastamento do presidente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Ingo Hubert. O governador Jaime Lerner (PFL) não tem obrigação de acatar o pedido de demissão de Hubert. O requerimento serve apenas como instrumento político para a Assembléia se manifestar contra o presidente da estatal.
O requerimento foi assinado por deputados da base aliada, que estão insatisfeitos com o tratamento que recebem de Hubert, também secretário estadual da Fazenda. Três deles recuaram e retiraram a assinatura: Geraldo Cartário (PSL), Edno Guimarães (PSL) e Cézar Seleme (PPB).
Durante a sessão de ontem, também ficou decidida que a revogação da lei que autoriza o governo do Estado a vender a Copel vai entrar na pauta de votação no dia 9 de abril, em primeira discussão. Com o acordo fechando a data de votação, a bancada de oposição e o deputado Tony Garcia (PPB) acabaram desistindo de pedir regime de urgência na votação da matéria. Dois projetos prevêem a revogação da lei: um assinado em conjunto por 25 deputados e outro por Tony Garcia, protocolado antes.
O líder da oposição, Waldir Pugliesi (PMDB), acredita que vai conseguir os 28 votos necessários para revogar a lei. Levantamento da Folha revela que 28 dos 54 deputados estão contra a privatização, 19 indecisos e apenas sete são a favor. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), e o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, correm contra o tempo para recompor a base de apoio, que tradicionalmente somava 40 deputados.
Ingo vai hoje à Assembléia apresentar os argumentos do governo do Estado para privatizar a companhia de energia. O líder do PMDB, Nereu Moura, disse que a oposição vai ouvir os argumentos de Hubert, mas não sairá convencida.
O presidente do diretório estadual do PFL, João Elísio Ferraz de Campos, criticou ontem as campanhas contra a privatização da Copel. Mas admitiu que o governo do Estado está tendo dificuldades para explicar o processo de desestatização do setor elétrico definido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O governo é quem tem que esclarecer a população sobre a privatização da Copel. Não sei ao certo como. Eles é que têm que saber, afirmou João Elísio, ex-governador do Paraná.
O pefelista se disse favorável à privatização da Copel e repetiu as justificativas governistas de que a empresa paranaense não terá competitividade no futuro caso não seja privatizada. Uma estatal tem amarras, não consegue empréstimos internacionais agora. Não terá como competir com empresas privadas, garantiu.
Para o ex-governador, o Estado tem que se preocupar em investir em áreas sociais, principalmente na educação, saúde e segurança. A opinião pública está contra a privatização da Copel. Mas é preciso mostrar o que poderá ser feito se a empresa for privatizada, sinalizou. As declarações sobre privatização foram feitas durante o lançamento do novo site do PFL na Internet, na sede do diretório em Curitiba (www.pfl-pr.org.br) (Maria Duarte e Luciana Pombo, de Curitiba)





