O governo do Estado conseguiu aprovar com tranquilidade, ontem, a mensagem de lei que autoriza a privatização do Banestado no prazo de um ano. Protegidos à distância por cerca de 30 policiais militares distribuídos dois a dois por toda a Assembléia, 33 deputados da base governista liquidaram a questão e derrubaram todas as emendas da oposição que faziam contraponto ao déficit de R$ 4,1 bilhões alegado pelo governo.
Representantes da Federação dos Bancários, dos funcionários do Banestado e sindicalistas só puderam acompanhar a votação em plenário apresentando carteira de identidade aos seguranças. Uma viatura da Polícia Militar ficou de prontidão a tarde toda. Não foi registrado nenhum incidente, como a pancadaria da última terça-feira, quando sindicalistas e seguranças da Assembléia entraram em confronto.
Satisfeito com o desempenho dos aliados, que hoje pela manhã encaminham a mensagem para sanção do governador Jaime Lerner (PFL), o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse por telefone que já está com as malas prontas para ir a Brasília. Ele embarca no domingo e pretende na segunda e terça-feiras fechar o acordo com o Banco Central. O secretário assinalou que o Paraná tem até o dia 30 para resolver a situação do banco.
Gionédis afirmou que a exposição do banco na mídia, nas últimas semanas, já teria rendido um desgaste de aproximadamente R$ 500 milhões. ‘‘Mas isso não é motivo para preocupação, pois, com o saneamento, o Banestado continuará sendo a principal instituição financeira dos paranaenses’’, observou ele, sem dar detalhes ‘‘para não inquietar’’ investidores e clientes. O secretário não escondia sua ansiedade para firmar o acordo com o BC. ‘‘Depois disso, a discussão vai para o Senado’’, lembrou.
Ao líder do governo na Assembléia, deputado Valdir Rossoni (PTB), coube a tarefa espinhosa de defender, diante dos representantes dos bancários, a mensagem do governo. ‘‘Podem distribuir fotos minhas para todas as agências como represália, tenho certeza de que cumpri o meu dever’’, discursou em plenário. Rossoni foi um dos articuladores da aprovação da mensagem e do afastamento de uma emenda, de Joel Coimbra (PTB), que previa estabilidade de dois anos para os funcionários, depois do banco ser repassado à iniciativa privada.
Ângelo Vanhoni (PT), que defende a manutenção do banco em poder do governo, teve seu substitutivo rejeitado e voltou a afirmar que o rombo do Banestado hoje é de R$ 1,3 bilhão. ‘‘Não estão saneando porque não querem. Grupos financeiros, dentre eles um paranaense, aguardam a privatização para comprar o banco’’, acusou o deputado, citando apenas o Banco de Boston e o grupo espanhol Santander, como eventuais interessados.
Segundo o deputado, o acordo a ser firmado com o governo federal vai inviabilizar as finanças do Paraná a médio prazo. ‘‘Vamos emprestar o dinheiro e depois teremos de devolver cerca de R$ 120 milhões ao ano. Estão fazendo um mau negócio’’, ponderou. O secretário da Fazenda rebateu as acusações do petista e não quis confirmar se já existem grupos financeiros de olho no Banestado. ‘‘Ele (Vanhoni) nem entendeu os números’’, reagiu.

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